Ação conjunta cumpre 46 mandados em 14 cidades; esquema utilizava empresas de fachada para gerar créditos tributários falsos.
14 de Maio de 2026 às 10h07

Operação Refugo investiga fraude de R$ 2,5 bilhões no setor de plásticos em SP

Ação conjunta cumpre 46 mandados em 14 cidades; esquema utilizava empresas de fachada para gerar créditos tributários falsos.

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (14) investiga um esquema de fraude fiscal no setor de plásticos em São Paulo, que causou um prejuízo estimado em mais de R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos.

A denominada Operação Refugo é coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP), que inclui a Secretaria da Fazenda e Planejamento, o Ministério Público de São Paulo e a Procuradoria Geral do Estado, em colaboração com a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional.

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Mais de 530 agentes públicos estão envolvidos na operação, que cumpre 46 mandados de busca e apreensão em 14 municípios, incluindo a capital paulista, Barueri e São Bernardo do Campo.

As investigações revelaram que três grandes grupos empresariais utilizavam pelo menos 60 empresas de fachada para gerar créditos tributários falsos.

O esquema operava por meio da emissão de notas fiscais “frias”, que simulavam operações comerciais. Enquanto os produtos reais eram enviados diretamente de importadores para as indústrias, as notas fiscais circulavam por empresas fictícias, permitindo uma redução artificial no pagamento de impostos federais e estaduais, como ICMS, IPI e Imposto de Renda.

Os recursos desviados eram movimentados por um complexo fluxo financeiro, com o objetivo de ocultar o patrimônio dos verdadeiros beneficiários. A força-tarefa identificou que os valores obtidos de forma fraudulenta eram utilizados para financiar luxos pessoais dos envolvidos, como viagens, mensalidades em clubes náuticos, vinhos caros, além da aquisição de imóveis e veículos de alto padrão. Empresas patrimoniais foram utilizadas para proteger esses bens e dificultar a fiscalização.

A operação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e das polícias Civil e Militar. Documentos e dispositivos digitais apreendidos serão analisados para identificar todos os envolvidos e aprofundar as provas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Além da recuperação dos ativos para o Estado, os responsáveis enfrentarão processos criminais pelas fraudes.

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