Com a cota de carne bovina brasileira atingindo metade do limite, o setor teme a aplicação de tarifas elevadas pela China.
12 de Maio de 2026 às 10h43

Exportações de carne bovina do Brasil para a China alcançam 50% da cota e setor se preocupa com tarifas

Com a cota de carne bovina brasileira atingindo metade do limite, o setor teme a aplicação de tarifas elevadas pela China.

O Ministério do Comércio da China anunciou que o Brasil atingiu, no último sábado (9), 50% da cota anual de exportação de carne bovina estabelecida para 2026. Essa cota, que é de 1,1 milhão de toneladas, permite que as importações brasileiras entrem no país asiático com uma tarifa reduzida de 12%. No entanto, ao ultrapassar esse limite, a taxa será elevada para 55%, o que preocupa os exportadores brasileiros.

Desde o início do ano, a China implementou uma medida de salvaguarda, que visa proteger sua pecuária local, limitando as importações de carne bovina de outros países. A decisão de impor essa cota foi anunciada no último dia do ano passado e já está em vigor desde 1º de janeiro de 2026. O impacto dessa medida é significativo, dado que a China representa aproximadamente 48% do volume total de carne bovina exportada pelo Brasil.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, com 1,7 milhão de toneladas destinadas ao mercado chinês. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), liderada por Roberto Perosa, alertou que a expectativa é de uma queda de até 10% nas exportações para 2026, em comparação ao ano anterior, caso a cota seja ultrapassada.

Os exportadores estão acelerando os embarques para evitar a aplicação da sobretaxa, uma vez que a cota pode ser atingida já no primeiro semestre do ano. A Abiec também indicou que a produção voltada para o mercado chinês deve ser interrompida em junho, o que exigirá um aumento no consumo interno para compensar a perda das exportações.

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Além disso, o Brasil busca diversificar seus mercados, mirando especialmente os Estados Unidos, que enfrentam dificuldades para atender à demanda interna sem recorrer a importações. No entanto, a Abiec ressalta que nenhum outro mercado é capaz de substituir a China como principal destino da carne bovina brasileira.

A produção de carne bovina no Brasil atingiu um recorde em 2025, totalizando 11,1 milhões de toneladas, um aumento de 7,2% em relação a 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar desse crescimento, as incertezas geradas pela nova política chinesa podem impactar negativamente o setor, levando a uma possível redução do rebanho caso os frigoríficos não consigam realocar a produção.

O governo brasileiro está atento a essa situação e busca alternativas para minimizar os efeitos da medida chinesa, incluindo a negociação com outros países para a redistribuição de cotas. Contudo, até o momento, essas tentativas não tiveram sucesso, e a pressão sobre o setor continua a aumentar.

O cenário atual exige que o Brasil se adapte rapidamente às novas condições impostas pela China, que se tornou o maior comprador de carne bovina do país. As próximas semanas serão cruciais para determinar o futuro das exportações brasileiras e a saúde do setor pecuário nacional.

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