Saída de advogado de Daniel Vorcaro marca novo capítulo nas investigações do Banco Master
Defesa do banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta reviravolta com a saída do advogado Juca após rejeição da proposta de delação pela PF.
O cenário jurídico em torno das investigações do Banco Master passou por uma significativa reviravolta com a saída do advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi confirmada pelo próprio advogado, que declarou que a mudança ocorreu “de comum acordo”. Essa movimentação acontece pouco mais de dois meses após Juca assumir o caso, em março, e expõe o desgaste nas negociações para um possível acordo de delação premiada com as autoridades.
Vorcaro está detido desde 4 de março, sob a suspeita de liderar um extenso esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. A saída do advogado coincide com a recente rejeição da primeira proposta de delação apresentada pelo banqueiro pela Polícia Federal (PF). Segundo os investigadores, o documento continha omissões significativas sobre fatos já revelados nas apurações em curso, sendo considerado mais um instrumento de defesa do que uma verdadeira colaboração.
A PF avaliou que a proposta carecia de robustez e não apresentava informações novas que pudessem contribuir para as investigações. Além disso, a proposta deixou de fora detalhes cruciais sobre transações financeiras envolvendo políticos investigados, como o senador Ciro Nogueira.
Apesar da rejeição, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu manter as tratativas em andamento, devolvendo os termos para que a defesa complementasse as informações necessárias. Contudo, o clima de ceticismo em Brasília sobre a viabilidade desse entendimento cresce, especialmente se o procurador-geral, Paulo Gonet, optar por rejeitar o acordo definitivamente. Nesse caso, os advogados de Vorcaro perderiam a possibilidade de recorrer aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que a PGR detém a exclusividade da ação penal.
A insatisfação em relação aos termos apresentados pela defesa anterior não se limita à PF, estendendo-se também ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. O magistrado tem mantido uma postura rígida e não aceita qualquer tipo de seletividade nas informações fornecidas pelo investigado, enfatizando que a colaboração premiada deve atender principalmente aos interesses do preso.
O relacionamento entre o ministro e a equipe de advogados deteriorou-se após discussões acaloradas sobre o conteúdo da proposta. Fontes indicam que Mendonça foi alertado pelos investigadores de que um único celular apreendido já fornecia informações cruciais para o inquérito, enquanto Vorcaro mostrava relutância em confirmar episódios já tornados públicos.
Com a pressão crescente e as negativas sucessivas, relatos sugerem que Vorcaro está se sentindo cada vez mais isolado e angustiado com a permanência na prisão. Após uma postura inicial de proteger aliados políticos e empresariais, ele parece disposto a ampliar o escopo do que pretende relatar para as autoridades. Para facilitar as negociações com os procuradores, o banqueiro estaria considerando aumentar o valor oferecido como ressarcimento e multa em uma eventual delação, passando de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões a serem devolvidos aos cofres públicos.
Agora, a condução dos trabalhos ficará a cargo do advogado Sérgio Leonardo, que possui uma relação de confiança com Vorcaro. Um novo nome para substituir Juca ainda não foi anunciado. Paralelamente ao impasse da delação, a defesa anterior formalizou um pedido de transferência do banqueiro, que atualmente se encontra em uma cela na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. O pedido visa transferi-lo para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, sob a alegação de que as condições atuais de custódia não são adequadas.
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