Defesa do banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta reviravolta com a saída do advogado Juca após rejeição da proposta de delação pela PF.
22 de Maio de 2026 às 15h43

Saída de advogado de Daniel Vorcaro marca novo capítulo nas investigações do Banco Master

Defesa do banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta reviravolta com a saída do advogado Juca após rejeição da proposta de delação pela PF.

O cenário jurídico em torno das investigações do Banco Master passou por uma significativa reviravolta com a saída do advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi confirmada pelo próprio advogado, que declarou que a mudança ocorreu “de comum acordo”. Essa movimentação acontece pouco mais de dois meses após Juca assumir o caso, em março, e expõe o desgaste nas negociações para um possível acordo de delação premiada com as autoridades.

Vorcaro está detido desde 4 de março, sob a suspeita de liderar um extenso esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. A saída do advogado coincide com a recente rejeição da primeira proposta de delação apresentada pelo banqueiro pela Polícia Federal (PF). Segundo os investigadores, o documento continha omissões significativas sobre fatos já revelados nas apurações em curso, sendo considerado mais um instrumento de defesa do que uma verdadeira colaboração.

A PF avaliou que a proposta carecia de robustez e não apresentava informações novas que pudessem contribuir para as investigações. Além disso, a proposta deixou de fora detalhes cruciais sobre transações financeiras envolvendo políticos investigados, como o senador Ciro Nogueira.

Apesar da rejeição, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu manter as tratativas em andamento, devolvendo os termos para que a defesa complementasse as informações necessárias. Contudo, o clima de ceticismo em Brasília sobre a viabilidade desse entendimento cresce, especialmente se o procurador-geral, Paulo Gonet, optar por rejeitar o acordo definitivamente. Nesse caso, os advogados de Vorcaro perderiam a possibilidade de recorrer aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que a PGR detém a exclusividade da ação penal.

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A insatisfação em relação aos termos apresentados pela defesa anterior não se limita à PF, estendendo-se também ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. O magistrado tem mantido uma postura rígida e não aceita qualquer tipo de seletividade nas informações fornecidas pelo investigado, enfatizando que a colaboração premiada deve atender principalmente aos interesses do preso.

O relacionamento entre o ministro e a equipe de advogados deteriorou-se após discussões acaloradas sobre o conteúdo da proposta. Fontes indicam que Mendonça foi alertado pelos investigadores de que um único celular apreendido já fornecia informações cruciais para o inquérito, enquanto Vorcaro mostrava relutância em confirmar episódios já tornados públicos.

Com a pressão crescente e as negativas sucessivas, relatos sugerem que Vorcaro está se sentindo cada vez mais isolado e angustiado com a permanência na prisão. Após uma postura inicial de proteger aliados políticos e empresariais, ele parece disposto a ampliar o escopo do que pretende relatar para as autoridades. Para facilitar as negociações com os procuradores, o banqueiro estaria considerando aumentar o valor oferecido como ressarcimento e multa em uma eventual delação, passando de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões a serem devolvidos aos cofres públicos.

Agora, a condução dos trabalhos ficará a cargo do advogado Sérgio Leonardo, que possui uma relação de confiança com Vorcaro. Um novo nome para substituir Juca ainda não foi anunciado. Paralelamente ao impasse da delação, a defesa anterior formalizou um pedido de transferência do banqueiro, que atualmente se encontra em uma cela na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. O pedido visa transferi-lo para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, sob a alegação de que as condições atuais de custódia não são adequadas.

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