Operação do Sistema CFMV/CRMVs encontrou 82 ausências em atendimentos de urgência e irregularidades em 21,9% dos locais vistoriados em todo o país.
30 de Junho de 2026 às 14h26

Fiscalização aponta falta de veterinários em plantões no país

Operação do Sistema CFMV/CRMVs encontrou 82 ausências em atendimentos de urgência e irregularidades em 21,9% dos locais vistoriados em todo o país.

Uma operação nacional do Sistema Conselho Federal e Conselhos Regionais de Medicina Veterinária identificou 82 ocorrências de ausência de médico-veterinário em estabelecimentos que realizavam atendimento de plantão no Brasil. A fiscalização, chamada De Olho no Plantão, também apontou irregularidades em 21,9% dos locais vistoriados, índice equivalente a mais de um em cada cinco estabelecimentos fiscalizados.

A ação foi conduzida no âmbito do Plano Nacional de Fiscalização 2026 e teve como foco clínicas e hospitais veterinários que oferecem serviços de urgência, emergência, internação ou funcionamento 24 horas. Ao todo, foram fiscalizados 1.127 estabelecimentos e 1.198 profissionais em diferentes regiões do país.

Segundo o levantamento, as equipes dos Conselhos Regionais realizaram 1.382 atos fiscalizatórios. A operação mobilizou 25 dos 27 CRMVs, com adesão nacional de 92,6%. Os Conselhos Regionais do Pará e do Distrito Federal não participaram da mobilização.

Ausências foram mais frequentes em clínicas veterinárias

Das 82 ocorrências de ausência profissional registradas, 75 foram encontradas em clínicas veterinárias e sete em hospitais veterinários. Os casos envolveram unidades que mantinham setores de atendimento, áreas de internação e serviços com divulgação de funcionamento em regime de plantão.

São Paulo concentrou o maior número de registros, com 24 ocorrências. Em seguida apareceram Goiás e Minas Gerais, ambos com 10 casos, e Santa Catarina, com oito. Os dados indicam que o problema não ficou restrito a uma única região e foi observado em diferentes realidades de atendimento veterinário.

A presença do médico-veterinário é considerada indispensável nos serviços de plantão porque cabe a esse profissional avaliar clinicamente o animal, definir condutas terapêuticas, acompanhar a evolução do quadro e realizar procedimentos privativos da Medicina Veterinária. Em atendimentos de urgência e emergência, a ausência do profissional pode comprometer decisões que dependem de resposta imediata.

Fiscalização aponta falhas estruturais e operacionais

Além da falta de profissionais durante os plantões, a operação identificou 258 inconformidades estruturais relacionadas ao funcionamento dos serviços veterinários. As falhas incluíram inadequações em áreas de conservação de animais mortos, problemas em ambientes de descanso das equipes e descumprimento de exigências previstas na regulamentação profissional.

O percentual de irregularidades, de 21,9%, chama a atenção por envolver unidades que prestam atendimento em momentos críticos para os tutores e para os animais. Na prática, são locais procurados quando há acidentes, agravamento repentino de doenças, necessidade de monitoramento contínuo ou internação integral.

A fiscalização também buscou verificar se os estabelecimentos que anunciam atendimento de plantão mantêm estrutura compatível com o serviço oferecido. O objetivo foi avaliar não apenas a presença de profissionais habilitados, mas também as condições físicas, operacionais e documentais necessárias para a assistência adequada.

Para o Conselho Federal de Medicina Veterinária, anunciar atendimento de plantão representa um compromisso com a sociedade. A avaliação do órgão é que a assistência qualificada depende de equipe habilitada, estrutura adequada e disponibilidade real de atendimento durante todo o período divulgado ao público.

Riscos envolvem pacientes, tutores e equipes

A ausência de médico-veterinário em plantões pode atrasar intervenções essenciais, dificultar o controle da dor e comprometer o acompanhamento de animais internados. Também pode ampliar o risco de procedimentos serem realizados por pessoas sem habilitação legal, situação que caracteriza ameaça ao bem-estar animal e à segurança dos serviços.

Nos casos de internação, o monitoramento contínuo é um dos pontos centrais da assistência. Animais em estado grave podem apresentar mudanças rápidas no quadro clínico, exigindo avaliação técnica, ajuste de medicamentos, suporte imediato e tomada de decisão baseada em critérios profissionais.

A presidente do CFMV, Ana Elisa Almeida, avaliou que os resultados reforçam a importância da fiscalização permanente. Segundo ela, serviços que atendem situações de urgência e emergência lidam com momentos decisivos para a vida dos animais e precisam oferecer segurança aos pacientes e confiança aos responsáveis.

A coordenadora nacional da operação e chefe do Setor de Fiscalização do CFMV, Patrícia Stolano, destacou que a presença do médico-veterinário durante o plantão vai além de uma exigência legal. Para ela, trata-se de uma garantia técnica para avaliação, tratamento, realização de procedimentos e tomada de decisões imediatas.

Dados devem orientar novas ações de fiscalização

O Sistema CFMV/CRMVs afirma que a operação também teve caráter orientativo, com foco na regularização dos estabelecimentos e na prevenção de riscos. A proposta é que os dados reunidos permitam aperfeiçoar estratégias de fiscalização e ampliar a orientação aos responsáveis por clínicas e hospitais veterinários.

Ao consolidar informações de praticamente todo o território nacional, a operação De Olho no Plantão cria um diagnóstico sobre as condições dos serviços de urgência e emergência veterinária no país. O levantamento deve servir de base para novas ações voltadas à estrutura, à presença profissional e à qualidade da assistência.

O resultado também reforça a necessidade de atenção dos tutores ao buscar atendimento fora do horário comercial. Em estabelecimentos que oferecem plantão ou funcionamento 24 horas, a presença de médico-veterinário habilitado é um dos elementos fundamentais para garantir resposta adequada em casos de emergência.

Com os dados da operação, o Sistema CFMV/CRMVs pretende direcionar novas fiscalizações e ações de orientação. A expectativa é contribuir para que os serviços veterinários de plantão atuem de forma mais segura, regular e compatível com a responsabilidade assumida diante dos animais, dos tutores e da sociedade.

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