Pesquisa nacional vai reunir dados de tutores, gestores e empresas para apoiar guia, manual de boas práticas e políticas públicas no país.
25 de Junho de 2026 às 14h08

Ministério busca mapear turismo pet friendly para orientar setor

Pesquisa nacional vai reunir dados de tutores, gestores e empresas para apoiar guia, manual de boas práticas e políticas públicas no país.

O Ministério do Turismo lançou uma pesquisa online para mapear o mercado de turismo pet friendly no Brasil e reunir informações que orientem tutores, empreendimentos e gestores públicos. A iniciativa, realizada em parceria com a Unesco, ficará aberta até 30 de junho e será usada como base para a elaboração de materiais técnicos e informativos sobre o segmento.

O levantamento busca ouvir donos de animais de estimação, gestores públicos e privados e representantes de negócios ligados ao turismo, como hotéis, restaurantes, meios de hospedagem, parques, atrativos, agências e prestadores de serviços. A proposta é compreender como o país vem se estruturando para receber viajantes que não abrem mão da companhia dos pets.

Devem participar da pesquisa tutores que costumam viajar com animais de estimação, pessoas que já enfrentaram dificuldades para incluir os pets em roteiros turísticos, empresários que recebem esse público e gestores responsáveis por políticas de turismo. A participação pode ser feita pelo formulário online da pesquisa.

A pesquisa integra um esforço de diagnóstico sobre um comportamento que já influencia decisões de viagem, consumo e lazer. Com os animais cada vez mais presentes na rotina das famílias brasileiras, destinos e empresas passaram a lidar com uma demanda que vai além da simples permissão de entrada dos pets em espaços turísticos.

Para o setor, o desafio é transformar o conceito pet friendly em uma experiência organizada, segura e bem comunicada. Isso inclui regras de convivência, estrutura adequada, orientação aos tutores, preparo das equipes e capacidade de atender diferentes perfis de animais e viajantes.

Consulta pública quer mapear perfil dos viajantes

A consulta lançada pelo Ministério do Turismo pretende levantar dados sobre o perfil dos tutores que viajam com animais de estimação. O questionário deve ajudar a identificar hábitos de deslocamento, critérios de escolha de destinos, tipos de serviços mais procurados e dificuldades encontradas antes e durante as viagens.

Entre os pontos de interesse estão hospedagem, alimentação, acesso a atrativos turísticos, transporte, convivência em áreas comuns e disponibilidade de informações claras sobre estabelecimentos que recebem pets. Esses dados podem indicar quais serviços já estão consolidados e quais ainda precisam ser desenvolvidos.

Também podem contribuir pessoas que ainda não viajaram com seus pets, mas têm interesse em fazê-lo. Esse público ajuda a indicar barreiras de entrada, como insegurança sobre hospedagem, falta de informações, limitações no transporte, receio de rejeição em estabelecimentos ou dúvidas sobre a adaptação dos animais a novos ambientes.

Do lado dos empreendimentos, a consulta pode revelar gargalos operacionais importantes. Muitos locais se apresentam como pet friendly, mas ainda não possuem estrutura compatível com a experiência prometida. A permissão de entrada do animal, isoladamente, não garante acolhimento adequado, segurança, higiene, conforto ou boa convivência entre hóspedes, clientes e equipes.

A participação de gestores públicos é outro eixo relevante da pesquisa. Municípios interessados em fortalecer esse nicho precisam compreender a oferta local, orientar o trade turístico e definir estratégias que conciliem desenvolvimento econômico, bem-estar animal, segurança sanitária e convivência nos espaços coletivos.

Manual deve orientar negócios e prestadores

Um dos produtos previstos a partir do levantamento é o Manual de Boas Práticas para o Turismo Pet Friendly. O material será voltado a empreendimentos e prestadores de serviços interessados em adaptar seus espaços e receber melhor famílias acompanhadas de animais de estimação.

O manual deverá servir como referência para empresas que desejam estruturar protocolos mais claros. A medida é importante porque o uso do termo pet friendly ainda varia muito entre estabelecimentos. Em alguns casos, a expressão significa apenas que o animal pode entrar; em outros, envolve serviços, áreas preparadas, regras definidas e atendimento especializado.

Entre as orientações esperadas estão cuidados com sinalização, higiene, circulação dos animais, áreas permitidas, disponibilidade de água, recolhimento de resíduos, prevenção de conflitos e comunicação objetiva com os tutores. A preparação das equipes também deve ganhar destaque, especialmente em locais com grande fluxo de visitantes.

Para os empreendedores, a organização desse atendimento pode representar ganho competitivo. Tutores que viajam com pets tendem a valorizar segurança, previsibilidade e informações confiáveis. Quando essas condições estão presentes, a experiência do visitante melhora e aumenta a chance de retorno ao destino.

Guia nacional será voltado aos tutores

Além do manual para o setor produtivo, o projeto prevê a elaboração do Guia Nacional de Turismo Pet Friendly. O material será direcionado aos tutores e deverá reunir orientações sobre convivência em viagens, planejamento, cuidados com os animais e uso responsável de espaços turísticos.

A publicação também deve apresentar informações sobre destinos, serviços e experiências de destaque no Brasil. A ideia é facilitar a organização das viagens e reduzir dúvidas frequentes de quem deseja incluir o pet no roteiro, mas precisa avaliar condições de hospedagem, alimentação, deslocamento e lazer.

O guia poderá contribuir para alinhar expectativas entre consumidores e empresas. De um lado, os tutores passam a ter mais clareza sobre responsabilidades durante a viagem. De outro, os estabelecimentos ganham estímulo para informar melhor suas regras, restrições e serviços disponíveis.

Essa organização é considerada essencial para evitar frustrações e problemas de convivência. Uma viagem pet friendly depende de estrutura por parte dos destinos, mas também exige comportamento responsável dos tutores, incluindo respeito às normas locais, atenção ao bem-estar do animal e cuidado com os espaços compartilhados.

Dados vão subsidiar políticas públicas

A consulta popular faz parte da segunda fase de um projeto mais amplo voltado à estruturação do turismo pet friendly no país. No mês anterior ao lançamento da pesquisa, a jornalista e especialista em mercado pet Marília Fernanda de Andrade e Brites Figueiredo foi selecionada por meio de edital para realizar estudos, levantamentos e organização de informações sobre o segmento no Brasil.

Segundo o Ministério do Turismo, o objetivo principal é reunir dados que ajudem a construir políticas públicas efetivas para o setor. O trabalho deve considerar tanto o perfil dos viajantes quanto os desafios operacionais enfrentados por quem recebe animais de estimação em ambientes turísticos.

Com um diagnóstico mais completo, o poder público poderá identificar demandas regionais, orientar investimentos, apoiar capacitações e estimular boas práticas. O levantamento também pode ajudar a diferenciar destinos que já possuem algum nível de preparo daqueles que ainda precisam estruturar serviços básicos.

O avanço do turismo pet friendly acompanha a humanização dos animais de estimação e a expansão do mercado pet no Brasil. Cada vez mais tutores tratam os pets como membros da família, o que influencia a escolha de hotéis, restaurantes, roteiros e experiências de lazer.

A pesquisa do Ministério do Turismo busca dar base técnica a esse movimento. Ao transformar a demanda em dados, o governo pretende apoiar empresas, orientar turistas e oferecer subsídios para que destinos brasileiros desenvolvam o segmento de forma mais segura, profissional e integrada.

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