Órgão do Ministério da Justiça apura se a CazéTV seguiu normas de publicidade responsável em anúncios de apostas esportivas.
25 de Junho de 2026 às 14h03

Senacon investiga CazéTV por publicidade de apostas durante a Copa do Mundo

Órgão do Ministério da Justiça apura se a CazéTV seguiu normas de publicidade responsável em anúncios de apostas esportivas.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, instaurou uma investigação para apurar possíveis irregularidades na divulgação de apostas esportivas pela CazéTV, durante as transmissões da Copa do Mundo de 2026.

A decisão da Senacon surge após a análise de vídeos em que a plataforma digital, conhecida por suas transmissões esportivas, promovia empresas de apostas durante os jogos do torneio organizado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). O órgão busca verificar se as propagandas respeitaram as normas de publicidade responsável, que exigem clareza e transparência nas informações, além de evidenciar os riscos envolvidos nas apostas.

As normas proíbem mensagens que incentivem apostas impulsivas, sugiram ganhos fáceis ou minimizem os riscos associados à atividade. A investigação inicial da Senacon pode levar à abertura de um processo administrativo, caso sejam encontradas evidências de violação das regras de defesa do consumidor.

Um dos pontos destacados pela Senacon é a identificação de ações promocionais de casas de apostas exibidas durante jogos transmitidos pela CazéTV, canal que tem como principal rosto o influenciador Casimiro Miguel. Em uma das transmissões, um narrador teria incentivado os espectadores a participar de apostas, mencionando promoções através de QR Codes exibidos na tela.

Além disso, outro caso mencionado ocorreu durante uma partida entre Argentina e Áustria, onde comentaristas teriam promovido uma oferta que aumentava o valor pago ao apostador, o que poderia estimular apostas imediatas. A Senacon também investiga a participação de narradores e comentaristas nas campanhas publicitárias, que pode ter confundido o público sobre o que era conteúdo jornalístico e o que era publicidade.

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O cenário de crescente pressão política sobre a publicidade de apostas também é relevante. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), têm criticado a presença de anúncios de apostas durante os jogos e solicitado ações do Ministério Público Federal. Hilton defende a proibição de propagandas de apostas feitas por comentaristas esportivos durante as transmissões.

A pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB-SP), também se manifestou, afirmando que a grande exposição das apostas durante a Copa do Mundo demanda uma discussão sobre restrições mais rigorosas para esse tipo de publicidade. O próprio presidente Lula expressou preocupação com os impactos das apostas online nas finanças das famílias brasileiras.

A CazéTV, por sua vez, foi procurada para comentar sobre a investigação da Senacon e os critérios utilizados para a divulgação de publicidade de apostas, mas até o momento não houve retorno.

A apuração da Senacon ocorre em um contexto de crescente crítica à publicidade de apostas, que se tornou uma presença constante não apenas na CazéTV, mas também em emissoras de televisão, plataformas digitais e eventos esportivos.

Especialistas em saúde mental e defesa do consumidor alertam para os riscos associados ao aumento das apostas online no Brasil. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que cerca de 11 milhões de pessoas apresentam comportamentos de risco relacionados a apostas, com 1,4 milhão já desenvolvendo transtornos associados ao jogo.

Estudos indicam que muitos brasileiros têm priorizado gastos com apostas em detrimento de despesas essenciais, como alimentação e transporte. A normalização das apostas, impulsionada pela presença massiva das marcas em eventos esportivos, pode levar a uma percepção distorcida da atividade, vista apenas como entretenimento, sem a devida consideração dos riscos envolvidos.

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