Entidade é alvo de apuração por transações que podem configurar lavagem de dinheiro nos EUA
09 de Julho de 2026 às 09h24

FBI investiga Federação Argentina de Futebol por movimentações financeiras suspeitas

Entidade é alvo de apuração por transações que podem configurar lavagem de dinheiro nos EUA

A seleção argentina avança nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, mas sua federação de futebol, a AFA (Associação do Futebol Argentino), enfrenta uma intensa investigação nos Estados Unidos. O FBI e procuradores federais estão apurando transações financeiras da entidade, que totalizam mais de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,55 bilhão) no sistema financeiro americano.

De acordo com informações do jornal argentino La Nación, agentes do FBI e integrantes do Departamento de Justiça dos EUA já colheram depoimentos sobre as operações financeiras da AFA. O foco da investigação é determinar se essas movimentações configuram crimes sob a jurisdição americana, como lavagem de dinheiro ou fraude bancária.

A investigação se concentra na atuação da AFA, presidida por Claudio “Chiqui” Tapia, e sua relação com a empresa TourProdEnter LLC, que atuava como agente de cobrança dos contratos internacionais da federação com patrocinadores e parceiros comerciais. A TourProdEnter, liderada pelo produtor teatral Javier Faroni, é suspeita de ter canalizado centenas de milhões de dólares provenientes de acordos com multinacionais.

Os promotores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger estão à frente do caso. Gushue, membro da Unidade de Integridade Bancária do Departamento de Justiça, tem experiência em crimes financeiros, enquanto Berger é conhecido por sua atuação em casos de lavagem de dinheiro, incluindo a condenação do ex-controlador-geral do Equador, Carlos Ramón Polit Faggioni, em Miami.

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Os investigadores também ouviram o empresário Guilherme Tofoni em uma reunião por videoconferência, buscando identificar se algumas operações ligadas à AFA podem caracterizar crimes. Entre os contratos sob investigação estão acordos com a Adidas, no valor de US$ 60 milhões, e com a Warner, de US$ 40 milhões.

Documentos analisados por La Nación revelam que a TourProdEnter movimentou ao menos US$ 260 milhões em receitas da AFA por meio de contas em cinco instituições financeiras americanas. Contudo, apenas parte desses recursos é justificada legalmente, levantando suspeitas sobre a destinação de outros valores, que incluem pagamentos a empresas ligadas a dirigentes da AFA e a pessoas que, segundo registros, recebiam benefícios sociais.

A AFA não se manifestou publicamente sobre as acusações até o momento. No entanto, Tomás Regalado, o “embaixador” da AFA para a América do Norte, e o advogado criminalista Mariano Lizardo participaram de um fórum em Miami, onde pediram respeito à presunção de inocência e afirmaram que as medidas de investigação não determinam responsabilidade ou culpa.

Enquanto a apuração avança, Claudio Tapia continua a acompanhar a participação da Argentina na Copa do Mundo. Em maio, um juiz penal autorizou o dirigente a deixar o país, mediante o pagamento de uma fiança, para garantir seu retorno e permanência no processo judicial que o investiga por retenção indevida de impostos e contribuições previdenciárias, em um caso separado da investigação do Departamento de Justiça americano.

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