Pesquisa revela que 42% apoiam Michelle Bolsonaro em desentendimento com Flávio
Levantamento da Quaest mostra que 45% acreditam que ex-primeira-dama agiu corretamente ao expor briga familiar
A pesquisa Genial/Qaest, divulgada nesta quarta-feira (15), revelou que 42% dos entrevistados concordam mais com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em relação ao recente desentendimento com seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em contraste, apenas 18% dos participantes afirmaram apoiar Flávio na disputa de opiniões.
O estudo, que entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de julho, apresenta uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Além disso, 22% dos entrevistados disseram não concordar com nenhum dos lados, enquanto 3% afirmaram concordar parcialmente com ambos.
Quando questionados sobre a decisão de Michelle em divulgar vídeos nas redes sociais, 45% consideraram que a ex-primeira-dama fez o correto ao tornar a situação pública, enquanto 38% acreditaram que ela cometeu um erro. Outros 17% não souberam ou não quiseram responder.
O levantamento também investigou a percepção dos eleitores sobre o motivo que levou Michelle a compartilhar os vídeos. Para 34%, a ex-primeira-dama teria a intenção de se posicionar como uma possível candidata à Presidência no lugar de Flávio. Já 25% acreditam que o objetivo foi se opor a alianças políticas com as quais ela não concorda, enquanto 16% consideraram que a motivação foi responder a desrespeitos que ela afirma ter sofrido.
O embate entre Michelle e Flávio se intensificou após a ex-primeira-dama relatar em vídeos que se sentiu desrespeitada durante uma conversa telefônica, onde Flávio teria sugerido que ela não participasse das decisões do Partido Liberal (PL). A situação levou a um pedido de desculpas público do senador, que afirmou não ter a intenção de ofendê-la.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, comentou sobre a fragilidade na campanha de Flávio, destacando que o conflito familiar pode ter causado danos à sua imagem, mesmo entre eleitores de direita. Ele apontou que 35% dos eleitores da direita e 20% do bolsonarismo acreditam que Michelle acertou ao divulgar os vídeos.
Além disso, a pesquisa revelou que 53% dos entrevistados acreditam que a participação de Michelle na campanha de Flávio aumentaria suas chances de vitória, enquanto 45% pensam o contrário.
O desgaste na imagem da família Bolsonaro pode estar afastando eleitores independentes, que veem Flávio como uma opção mais moderada. O apoio ao senador caiu de 33% para 29% entre esse grupo desde a última rodada de pesquisa, realizada em junho.
Em um cenário mais amplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma vantagem nas intenções de voto, com 40% contra 28% de Flávio, segundo a mesma pesquisa. No segundo turno, Lula também lidera, com 45% das intenções contra 37% de Flávio.
O conflito entre Michelle e Flávio não é um caso isolado, mas reflete tensões internas no Partido Liberal, especialmente em um período eleitoral em que a união é considerada essencial para a sobrevivência política do partido. A ex-primeira-dama anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, citando a necessidade de cuidar de seu marido, Jair Bolsonaro, que enfrenta problemas de saúde.
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