EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, afetando diversos setores
Medida, anunciada pelo governo Trump, ignora negociações e pode impactar exportações brasileiras em bilhões
O governo dos Estados Unidos confirmou, nesta quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros exportados. A decisão foi anunciada pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, durante uma coletiva de imprensa que detalhou os resultados de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil.
A tarifa se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e foi imposta após a conclusão de negociações que não avançaram, resultando em tensões comerciais entre os dois países. Greer afirmou que “tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”, mas a falta de acordo levou à imposição das novas tarifas.
O governo americano justifica a medida alegando que o Brasil adota práticas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA, especialmente em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e questões ambientais, incluindo o combate ao desmatamento ilegal. A nova tarifa pode afetar cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, que representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações.
Entre os produtos que podem ser impactados estão ferro-gusa, álcool etílico e molduras de madeira. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 80% das exportações da indústria do Paraná para os EUA serão afetadas, com prejuízos que podem chegar a US$ 1,3 bilhão.
O governo brasileiro reagiu à decisão, classificando a imposição de novas tarifas como “injusta” e afirmando que o impasse comercial foi contaminado por questões políticas. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) destacou que as recomendações do USTR não têm fundamento técnico e não justificam a adoção de novas barreiras comerciais.
Além da tarifa de 25%, uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado também pode ser aplicada a produtos brasileiros, elevando a carga tributária total para até 37,5%. O governo brasileiro agora avalia se adotará medidas de reciprocidade contra produtos importados dos EUA.
O tema das tarifas gerou um intenso debate político no Brasil, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acusando-o de tentar obter vantagens políticas a partir da situação. Flávio esteve presente em audiências nos EUA para discutir a questão, enquanto o governo brasileiro optou por não enviar representantes para as negociações.
Com a confirmação das novas tarifas, o governo brasileiro se encontra em uma posição delicada, buscando alternativas para mitigar os impactos sobre a economia nacional e as exportações. A expectativa é que o USTR divulgue em breve a lista completa dos produtos que serão afetados pela nova tarifa.
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