Partido argumenta que conteúdo gerado por inteligência artificial viola restrições judiciais impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro
27 de Julho de 2026 às 10h53

PT aciona STF após exibição de vídeo de IA de Bolsonaro em convenção do PL

Partido argumenta que conteúdo gerado por inteligência artificial viola restrições judiciais impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (26), contestando a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial que apresenta o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O material foi exibido durante a convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, realizada no sábado (25).

No vídeo, um avatar que simula a imagem e a voz de Bolsonaro expressa apoio à candidatura do filho e menciona estar “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária”. O PT argumenta que a veiculação do conteúdo desrespeita uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que, em julho, impôs restrições ao ex-presidente, proibindo-o de realizar manifestações políticas, mesmo que por meio de terceiros.

O partido sustenta que a gravação, apesar de ser produzida com tecnologia de inteligência artificial, se enquadra nas proibições estabelecidas pela Corte. A petição do PT enfatiza que o vídeo foi transmitido ao vivo e amplamente divulgado nas redes sociais do PL e de Flávio Bolsonaro, configurando uma violação clara das medidas cautelares.

“A finalidade eleitoral do conteúdo é evidente, pois a mensagem de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro representa um endosse explícito e uma transferência de capital político”, afirmou a legenda, que é liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Além de acionar o STF, o PT também protocolou uma queixa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando o uso irregular de inteligência artificial para fins eleitorais. O partido pede a aplicação de multa à campanha de Flávio Bolsonaro e a remoção do vídeo das redes sociais, argumentando que a legislação eleitoral proíbe a utilização de deep fakes em conteúdos políticos.

A defesa de Bolsonaro, por sua vez, já havia recorrido ao STF questionando as restrições impostas por Moraes, argumentando que as medidas são desproporcionais e prejudiciais ao direito de comunicação do ex-presidente, especialmente em relação a visitas familiares e profissionais.

O PT compara a situação atual ao episódio da “Carta aos Brasileiros”, que também foi objeto de análise judicial. Contudo, a legenda destaca que a exibição do vídeo de IA teve um impacto ainda maior, uma vez que ocorreu em um evento partidário de grande visibilidade.

Na petição, o partido solicita que Moraes reconheça o descumprimento das medidas cautelares e encaminhe o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Procuradoria-Geral Eleitoral para as devidas providências.

Até o fechamento desta matéria, o ministro Alexandre de Moraes não havia se manifestado sobre o pedido do PT.

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