No Dia do Cardiologista, especialistas explicam como histórico, auscultação e exames combinados orientam o cuidado cardíaco de cães e gatos na rotina.
27 de Julho de 2026 às 12h33

Cardiologia veterinária identifica doenças antes de sinais graves

No Dia do Cardiologista, especialistas explicam como histórico, auscultação e exames combinados orientam o cuidado cardíaco de cães e gatos na rotina.

No dia 14 de agosto, quando é celebrado o Dia do Cardiologista, a data também abre espaço para discutir a saúde cardíaca dos animais. Na Medicina Veterinária, a identificação precoce de alterações pode permitir acompanhamento, planejamento de procedimentos e início do tratamento antes do aparecimento de complicações graves.

A avaliação cardiológica não começa pelo ecocardiograma nem depende de um exame isolado. O primeiro passo é conhecer o histórico do paciente, entender os sinais observados em casa e realizar um exame clínico completo. A auscultação do coração e dos pulmões ajuda a identificar sopros, alterações do ritmo e outros achados que podem justificar uma investigação mais detalhada.

Consensos da cardiologia veterinária orientam que decisões diagnósticas e terapêuticas devem combinar evidências científicas, experiência clínica e características individuais. Espécie, raça, idade, condição física, doenças associadas e rotina do animal influenciam a escolha dos exames, a necessidade de tratamento e a frequência das reavaliações.

Especialidade acompanha diferentes doenças do coração

O cardiologista veterinário atua na investigação e no acompanhamento de doenças valvares, cardiomiopatias, arritmias, hipertensão arterial, cardiopatias congênitas e insuficiência cardíaca. O especialista também avalia alterações cardiovasculares relacionadas a problemas renais, hormonais, respiratórios, infecciosos e oncológicos.

Entre os cães, a doença valvar degenerativa, especialmente aquela que afeta a válvula mitral, é uma das alterações cardíacas adquiridas mais frequentes. Ela pode ser percebida inicialmente durante uma consulta de rotina, quando o veterinário identifica um sopro. A presença desse som, porém, não significa automaticamente que o animal tenha insuficiência cardíaca.

Um sopro indica turbulência no fluxo sanguíneo e precisa ser interpretado de acordo com sua intensidade, localização, momento do ciclo cardíaco e condição do paciente. Alguns animais permanecem sem sinais durante anos, enquanto outros apresentam alterações estruturais que exigem monitoramento mais próximo ou tratamento.

Nos gatos, as cardiomiopatias formam um grupo importante de doenças. A cardiomiopatia hipertrófica, caracterizada pelo espessamento de partes do músculo cardíaco, está entre as mais conhecidas. Há também outras formas, com apresentações e prognósticos diferentes.

Gatos podem esconder sinais durante bastante tempo. Alguns mantêm comportamento aparentemente normal mesmo com alterações relevantes, enquanto outros apresentam dificuldade respiratória, formação de coágulos, insuficiência cardíaca ou episódios de fraqueza. Nem todos os gatos com cardiomiopatia têm sopro, e nem todo sopro felino confirma doença estrutural.

Mudanças na respiração e na disposição exigem atenção

Cansaço fora do habitual, desmaios, fraqueza, intolerância a exercícios, distensão abdominal e dificuldade para respirar justificam atendimento veterinário. A respiração acelerada enquanto o animal está dormindo ou descansando também pode ser um sinal de alerta, principalmente em pacientes que já possuem diagnóstico cardíaco.

A dificuldade respiratória deve ser tratada como situação potencialmente urgente. Cães e gatos que respiram com esforço, mantêm a boca aberta sem relação com calor ou exercício, não conseguem se acomodar ou apresentam mucosas azuladas precisam de avaliação imediata. Doenças cardíacas são uma possibilidade, mas problemas pulmonares, obstruções, traumas e outras condições também podem provocar o quadro.

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A tosse deve ser interpretada com cuidado. Em cães, ela pode aparecer em determinadas fases de doenças cardíacas, mas também está relacionada a alterações respiratórias, inflamações, infecções, colapso de traqueia e irritantes ambientais. Nos gatos, a tosse é menos característica de insuficiência cardíaca e pode ser confundida com tentativas de eliminar bolas de pelo.

Alterações detectadas durante uma consulta de rotina, uma vacinação ou a preparação para anestesia também podem levar ao encaminhamento para um cardiologista. Sopros, ritmo irregular, pressão arterial elevada, pulso alterado e modificações em radiografias ou exames laboratoriais precisam ser avaliados no contexto de cada paciente.

Exames respondem a perguntas diferentes

O exame cardiológico é construído em etapas. O veterinário seleciona as ferramentas conforme a suspeita clínica, evitando tanto a realização indiscriminada de procedimentos quanto a dependência de um único resultado. Cada exame oferece informações específicas e pode complementar os demais.

Exame Principal função
Auscultação Identifica sopros, alterações do ritmo e mudanças nos sons cardíacos ou pulmonares.
Eletrocardiograma Registra a atividade elétrica do coração e auxilia na identificação de arritmias.
Ecocardiograma Analisa estruturas, válvulas, câmaras, fluxo sanguíneo e funcionamento do músculo cardíaco.
Radiografia torácica Avalia o tamanho e o formato do coração, além dos pulmões, vasos e vias respiratórias.
Pressão arterial Detecta hipertensão ou hipotensão e contribui para avaliar doenças sistêmicas.
Holter Monitora o ritmo cardíaco durante várias horas e registra alterações que podem não aparecer em um exame breve.
Exames laboratoriais Investigam consequências da cardiopatia, condições associadas e segurança do tratamento.

O ecocardiograma é fundamental para avaliar a anatomia e o funcionamento do coração, mas não substitui todos os demais exames. Ele não oferece a mesma visão dos pulmões fornecida pela radiografia, por exemplo, nem registra por período prolongado uma arritmia intermitente como o Holter.

O eletrocardiograma pode confirmar e classificar alterações do ritmo, enquanto a pressão arterial ajuda a investigar condições que afetam o coração, os rins, os olhos e o sistema nervoso. Em determinados casos, exames laboratoriais e marcadores cardíacos contribuem para diferenciar doenças, estimar riscos ou acompanhar a resposta ao tratamento.

Acompanhamento deve considerar risco e necessidade

Não existe recomendação de ecocardiograma anual para todos os cães e gatos. A frequência depende da idade, da raça, do histórico familiar, dos sinais clínicos e dos achados obtidos durante a consulta. Animais sem alterações podem seguir um calendário diferente daquele indicado para pacientes com sopro, arritmia ou cardiopatia já diagnosticada.

Raças com predisposição a determinadas doenças podem precisar de protocolos específicos. O mesmo vale para animais idosos, pacientes que utilizam medicamentos com possíveis efeitos cardiovasculares ou aqueles que apresentam doenças capazes de alterar a pressão arterial e o funcionamento do coração.

Antes de cirurgias e outros procedimentos com anestesia, a necessidade de avaliação cardiológica deve ser definida individualmente. Pacientes com sopro, cardiopatia conhecida, desmaios, alterações respiratórias, idade avançada ou achados anormais em consultas anteriores podem precisar de investigação complementar.

A análise pré-anestésica permite ao cardiologista, ao clínico e ao anestesiologista estimar riscos e ajustar o planejamento. Dependendo do caso, podem ser modificados os medicamentos utilizados, a oferta de fluidos, o tipo de monitoramento e os cuidados durante a recuperação. Ter uma cardiopatia não significa necessariamente que o procedimento esteja proibido.

Em casa, o responsável contribui observando mudanças na disposição, no sono, na respiração e na tolerância aos passeios. Em pacientes acompanhados, o veterinário pode orientar a contagem da frequência respiratória durante o descanso. O número deve ser analisado junto com a tendência ao longo dos dias, sem substituir o atendimento profissional.

A detecção precoce não garante que todas as doenças possam ser evitadas, mas amplia as possibilidades de acompanhamento e intervenção. Consultas regulares, histórico bem informado, exame clínico cuidadoso e uso criterioso das ferramentas diagnósticas ajudam a construir um cuidado compatível com as necessidades de cada cão ou gato.

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