Gastos das aéreas com combustíveis aumentam R$ 5,2 bilhões devido à guerra
Companhias aéreas enfrentam alta de 49% no custo do querosene de aviação desde fevereiro.
As três principais companhias aéreas do Brasil, Latam, Gol e Azul, registraram um aumento de R$ 5,2 bilhões em seus gastos com querosene de aviação (QAV) em 2026, em decorrência da escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, conforme informações da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).
O cálculo da Abear considera o reajuste de 1,9% no preço do QAV, anunciado pela Petrobras no último dia 1º de agosto, que elevou o aumento acumulado do combustível para 49% desde fevereiro, quando começaram as tensões no Oriente Médio.
“Com o reajuste do último fim de semana, o QAV hoje representa 39% dos custos das companhias aéreas. Antes da guerra, essa proporção era de 32%”, afirmou a Abear, que representa as principais empresas do setor.
O aumento significativo no preço do QAV impactou diretamente as operações das companhias, que enfrentaram uma pressão financeira sem precedentes. Em maio, o preço do combustível chegou a dobrar em comparação ao período anterior ao início do conflito, resultando em um impacto financeiro de R$ 1,6 bilhão apenas naquele mês.
A alta do preço do petróleo e a consequente elevação nos custos do QAV têm sido um dos principais desafios enfrentados pelas aéreas em 2026. Os gastos com o combustível representam, em média, um terço dos custos operacionais das companhias.
Para minimizar os efeitos da alta nos preços do QAV, o governo brasileiro incluiu o combustível no planejamento de subvenções, garantindo isenção de impostos federais sobre o produto. Essa desoneração, que inicialmente vigoraria até 31 de maio, foi prorrogada até 31 de julho, mas não foi renovada posteriormente.
Durante uma apresentação de resultados na terça-feira, 4 de agosto, executivos da Latam afirmaram que as medidas governamentais não foram suficientes para mitigar os impactos no setor. O CEO da companhia, Jerome Cadier, destacou que as regras de precificação do QAV não foram alteradas durante a alta dos preços do petróleo, ao contrário do que ocorreu com o diesel e a gasolina.
“Continuamos a observar o preço internacional sendo repassado integralmente para as companhias brasileiras. Isso nos deixou em uma situação de grande pressão”, afirmou Cadier.
O CFO da Latam, Ricardo Bottas, também comentou sobre as medidas adotadas, afirmando que, embora tenham sido positivas, não tiveram um impacto significativo na redução dos custos para o setor.
A Petrobras, por sua vez, revisa mensalmente os preços do QAV, que são definidos com base nas cotações internacionais do petróleo e derivados, além dos custos de importação e da taxa de câmbio. Em abril, a estatal anunciou um aumento de mais de 56% no preço do QAV, seguido por um novo reajuste de 18% em maio.
Após duas reduções nos meses seguintes, a Petrobras voltou a aumentar o preço do QAV em 1,9% para agosto. A empresa esclareceu que o combustível é comercializado exclusivamente para distribuidoras, que são responsáveis pelo transporte e pela venda do produto para as companhias aéreas e outros consumidores finais nos aeroportos.
“O mercado brasileiro é aberto à livre concorrência, não havendo restrições legais, regulatórias ou logísticas para que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras de QAV”, declarou a Petrobras em nota.
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