Juiz é flagrado bebendo vinho e fumando durante sessão virtual em Minas Gerais
Milton Lívio Lemus Salles foi filmado em traje informal, o que gerou apuração pelo TJMG sobre sua conduta
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu uma sessão de julgamento virtual em 10 de agosto de 2026, após o juiz Milton Lívio Lemus Salles ser flagrado bebendo vinho e fumando durante a transmissão. O magistrado, que atuava como juiz auxiliar no 4º Núcleo de Justiça 4.0 Cível Família, também foi visto vestindo bermuda, em desacordo com as normas do tribunal que exigem vestimenta formal e proíbem atividades não relacionadas à sessão.
A situação foi registrada em vídeo, que rapidamente se tornou viral, gerando repercussão e críticas. As regras do TJMG estipulam que magistrados devem manter uma postura solene e usar vestimentas adequadas, como terno ou toga, durante videoconferências, conforme a Resolução nº 465/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em resposta ao incidente, a Corregedoria-Geral de Justiça do TJMG iniciou uma apuração rigorosa para investigar possíveis faltas funcionais do juiz, em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, que exige conduta irrepreensível na vida pública e particular dos magistrados.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB/MG), Gustavo Chalfun, anunciou que a entidade protocolará um pedido de afastamento cautelar do juiz. Chalfun expressou preocupação com a gravidade da situação, afirmando que o conteúdo do vídeo “é extremamente preocupante” e exige uma resposta adequada dos órgãos responsáveis pela fiscalização da magistratura.
“Estamos pedindo o afastamento cautelar do magistrado, porque isso infelizmente passa uma percepção de que a Justiça não é séria”, declarou Chalfun. Ele destacou que a postura do juiz registrada nas imagens não apenas contraria normas de formalidade, mas também compromete a imparcialidade esperada de um magistrado.
Além disso, a OAB/MG enviará a representação ao CNJ para que ambos os órgãos avaliem a conduta do juiz. O presidente da OAB afirmou que a medida é necessária diante da repercussão do caso e da gravidade do comportamento registrado.
O TJMG, por sua vez, confirmou que a sessão foi interrompida antes de sua conclusão, com três processos ainda pendentes de julgamento. Esses casos serão incluídos na pauta da próxima sessão, agendada para 28 de agosto.
A situação levanta discussões sobre a necessidade de manter padrões de conduta entre os magistrados, especialmente em um momento em que a transparência e a responsabilidade são fundamentais para a confiança do público no sistema judicial.
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