Após a entrega de corpos de reféns israelenses, Netanyahu hesita em avançar nas negociações de paz.
27 de Fevereiro de 2025 às 12h26

Cessar-fogo entre Israel e Hamas chega ao fim sem garantias para próxima fase

Após a entrega de corpos de reféns israelenses, Netanyahu hesita em avançar nas negociações de paz.

A primeira fase do cessar-fogo entre Israel e Hamas terminou sem garantias sobre a continuidade do acordo, que visa estabelecer uma paz duradoura na região. Na noite de quarta-feira, 26 de fevereiro, o Hamas devolveu os corpos de quatro reféns israelenses, enquanto Israel libertou cerca de 600 prisioneiros palestinos, conforme estipulado no acordo.

Os corpos entregues pelo Hamas foram identificados como sendo de Tsachi Idan, Itzhak Elgarat, Ohad Yahalomi e Schlomo Mantzur, todos sequestrados durante o ataque do grupo militante em 7 de outubro de 2023. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou relutância em avançar para a segunda fase do acordo, que deveria incluir uma cessação permanente das hostilidades.

O governo israelense havia inicialmente se mostrado cético em relação ao cumprimento do acordo por parte do Hamas, especialmente após a entrega de um corpo que não correspondia ao de Shiri Bibas, conforme acordado. Netanyahu classificou as cerimônias de liberação organizadas pelo Hamas como “humilhantes” e chegou a proibir a cobertura midiática desses eventos.

Em resposta à entrega dos corpos, o Hamas anunciou que estava disposto a negociar a segunda fase do cessar-fogo, que incluiria a libertação dos reféns restantes. Até o momento, 27 reféns ainda estão retidos em Gaza, enquanto 31 corpos de israelenses sequestrados permanecem em poder do grupo.

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A troca de prisioneiros foi marcada por um clima de emoção, com muitos dos libertados apresentando sinais de tortura e desnutrição. Relatos indicam que os prisioneiros palestinos libertados foram rapidamente levados a hospitais devido ao estado debilitado em que se encontravam.

O cessar-fogo, que entrou em vigor em 19 de janeiro, permitiu a liberação de 33 reféns israelenses, sendo que oito deles estavam mortos, além de aproximadamente 1.700 prisioneiros palestinos. A situação humanitária em Gaza continua crítica, com a região devastada e cerca de 2 milhões de palestinos vivendo em condições extremas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, comentou sobre a situação, afirmando que a “barbárie do Hamas deve acabar”, enquanto a comunidade internacional observa atentamente as negociações em andamento. A pressão sobre Netanyahu é intensa, tanto por parte das famílias dos reféns quanto de setores mais radicais de seu governo, que exigem uma resposta militar mais contundente.

Agora, a continuidade do cessar-fogo e o início das negociações para a segunda fase permanecem incertos. O Hamas declarou em suas redes sociais que “não há escolha a não ser iniciar as negociações para a segunda fase”, mas Netanyahu ainda não se comprometeu com um plano claro para avançar nas conversas.

As próximas horas e dias serão cruciais para determinar o futuro do cessar-fogo e a possibilidade de uma paz duradoura na região, que continua marcada por tensões e conflitos.

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