Mudança ocorre após críticas sobre uso indevido da ferramenta para criar imagens sexualizadas sem consentimento.
09 de Janeiro de 2026 às 11h10

Grok AI de Elon Musk limita edição de imagens a usuários pagos após polêmica com deepfakes

Mudança ocorre após críticas sobre uso indevido da ferramenta para criar imagens sexualizadas sem consentimento.

O chatbot de inteligência artificial Grok, desenvolvido por Elon Musk e integrado à plataforma de mídia social X (anteriormente conhecida como Twitter), anunciou que suas funcionalidades de edição de imagens agora estão restritas apenas a assinantes pagos. A decisão foi tomada em meio a um crescente clamor público após o uso indevido da ferramenta para gerar deepfakes sexualizados de mulheres e crianças.

Recentemente, a Internet Watch Foundation (IWF) alertou que criminosos utilizaram Grok para criar imagens de abuso sexual infantil, o que gerou uma onda de indignação. A organização confirmou que suas análises identificaram imagens criminosas de crianças entre 11 e 13 anos, supostamente geradas pela ferramenta.

Com a nova política, Grok informa aos usuários que “a geração e edição de imagens estão atualmente limitadas a assinantes pagos”, o que implica que a empresa terá os dados de identificação e pagamento dos usuários que utilizam essa função.

O primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, qualificou a situação como “desgraçada” e “repugnante”, exigindo que a plataforma tome medidas eficazes para evitar a disseminação de conteúdo ilegal. Em uma entrevista, ele afirmou que o governo apoia totalmente a Ofcom, o regulador de comunicações do Reino Unido, em suas ações contra o X.

“É ilegal. Não vamos tolerar isso. Pedi que todas as opções estejam sobre a mesa”, disse Starmer, enfatizando a necessidade de uma resposta robusta à questão.

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Na última semana, Elon Musk anunciou uma nova versão do Grok, incentivando os usuários a atualizarem seus aplicativos, embora não tenha especificado quais mudanças foram implementadas. O bilionário reiterou que quem usar Grok para criar conteúdo ilegal enfrentará as mesmas consequências que aqueles que postam conteúdo ilegal.

A plataforma X afirmou que toma medidas contra conteúdo ilegal, incluindo a remoção de materiais de abuso sexual infantil e a suspensão permanente de contas envolvidas. Contudo, a pressão pública continua a crescer, especialmente entre mulheres que relataram terem sido alvo de imagens geradas pela IA sem seu consentimento.

Dr. Daisy Dixon, usuária da plataforma, expressou apoio à mudança, mas destacou que isso é apenas uma solução temporária. “Grok precisa ser totalmente redesenhado e ter salvaguardas éticas integradas para evitar que isso aconteça novamente”, comentou.

A especialista em regulação legal da pornografia e violência sexual, professora Clare McGlynn, criticou a abordagem de Musk, afirmando que a restrição de acesso apenas a assinantes pagos não resolve o problema subjacente. “Em vez de tomar medidas responsáveis para garantir que Grok não possa ser usado para fins abusivos, ele retirou o acesso da grande maioria dos usuários”, disse.

A situação atual levanta preocupações sobre a responsabilidade das plataformas digitais em moderar o conteúdo gerado por inteligência artificial, especialmente em relação à proteção de indivíduos vulneráveis.

O governo britânico, por meio de fontes oficiais, reiterou que espera que a Ofcom utilize todos os poderes disponíveis para lidar com as questões relacionadas ao Grok e à plataforma X, enfatizando a necessidade de ações concretas para prevenir abusos futuros.

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