Caixas de som, apitos e gritos podem causar pânico, fuga e estresse em cães e gatos. Veja sinais de alerta e como reduzir riscos nos blocos
05 de Fevereiro de 2026 às 17h47

Som alto no Carnaval: riscos auditivos e comportamentais em pets

Caixas de som, apitos e gritos podem causar pânico, fuga e estresse em cães e gatos. Veja sinais de alerta e como reduzir riscos nos blocos

O Carnaval de rua em cidades como São Paulo tem atraído cada vez mais tutores que querem incluir cães e gatos na folia, mas o barulho intenso é um dos principais fatores de risco para os animais. Mesmo em ambientes anunciados como “pet-friendly”, a combinação de caixas de som, multidão, apitos e ruídos imprevisíveis pode transformar um passeio em uma experiência estressante e, em alguns casos, perigosa.

O problema não é apenas o volume. Diferente de um passeio comum, o Carnaval expõe o pet a sons com picos repentinos, vibração do ambiente e estímulos simultâneos, como pessoas se aproximando, fantasias, aglomeração e cheiros fortes. Para muitos animais, especialmente os mais sensíveis, esse conjunto pode desencadear medo e desorganização comportamental, mesmo que o pet pareça “calmo” no início.

Do desconforto ao pânico: como o barulho muda o comportamento

Na prática, os impactos mais frequentes são comportamentais. O animal pode começar com sinais leves, como inquietação, busca insistente pelo tutor e tentativa de se afastar do som, e evoluir para tremores, ofegância intensa, vocalização, babação e recusa em andar. Em quadros mais graves, o pet entra em pânico e tenta fugir a qualquer custo, o que aumenta o risco de desaparecimento e acidentes em vias movimentadas.

Além do estresse, há também preocupação com o impacto auditivo. O ouvido de cães e gatos é mais sensível do que o humano, e ficar perto de caixas de som, trios e pontos de ruído concentrado pode ser doloroso. Mesmo quando não há lesão imediata, a exposição intensa pode deixar o animal mais reativo e inseguro, elevando a chance de desenvolver ou agravar aversão a ruídos, um problema comum em cães e que pode piorar com experiências negativas repetidas.

Sinais de alerta e quem deve ficar longe dos blocos

Os tutores devem ficar atentos a sinais claros de que o passeio precisa terminar. Tremores persistentes, cauda entre as pernas, orelhas coladas, pupilas dilatadas, tentativa de escapar do peitoral, puxões bruscos e congelamento são alertas importantes. Se o pet parar de responder ao tutor, tentar se esconder ou demonstrar agressividade repentina, a recomendação é sair do local e buscar uma área silenciosa imediatamente.

Alguns animais simplesmente não deveriam ir a blocos. Pets idosos, braquicefálicos (como pug e bulldog), cardiopatas, filhotes muito novos, animais ansiosos ou com histórico de medo de fogos e trovões tendem a sofrer mais. No caso dos gatos, o risco é ainda maior, porque eles geralmente lidam pior com mudanças e podem fugir em situações de estresse, inclusive escapando de colo, bolsas e caixas mal fechadas.

Para quem decide levar o pet, reduzir riscos depende de planejamento. A orientação é evitar horários de maior lotação, manter distância de caixas de som, usar guia curta e peitoral bem ajustado, e limitar o tempo de permanência. Também é essencial levar água, fazer pausas, evitar fantasias quentes ou apertadas e ter um plano de saída rápido caso o ambiente fique mais barulhento do que o previsto.

No fim, especialistas reforçam que o melhor critério é simples: se o animal não estiver confortável, não vale insistir. O Carnaval pode ser divertido para humanos, mas para muitos pets o som alto é um gatilho de medo, e o bem-estar deve vir antes da foto perfeita no bloco.

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