Deputado federal afirma que evento foi propaganda eleitoral antecipada e critica TSE por omissão.
16 de Fevereiro de 2026 às 19h06

Nikolas Ferreira anuncia ação contra Lula e Acadêmicos de Niterói por desfile

Deputado federal afirma que evento foi propaganda eleitoral antecipada e critica TSE por omissão.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou nesta segunda-feira, 16, que pretende acionar o Ministério Público (MP) para protocolar uma representação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a escola de samba Acadêmicos de Niterói. O parlamentar argumenta que o desfile realizado no último domingo, 15, na Marquês de Sapucaí, configurou "propaganda eleitoral antecipada".

Em uma postagem em sua conta no X (ex-Twitter), Nikolas Ferreira criticou a utilização de recursos públicos federais para financiar o evento, que, segundo ele, foi um "desfile-comício". O deputado afirmou que o espetáculo teve enredo e alegorias que exaltavam o presidente e seus programas de governo, descrevendo a situação como "surreal".

“Sob o pretexto de cultura, vimos dinheiro público federal financiar um verdadeiro desfile-comício em rede nacional. Diante disso, protocolarei representação ao Ministério Público para que seja proposta ação de improbidade administrativa contra Lula e a escola de samba beneficiada”, escreveu o deputado.

Nikolas Ferreira também criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmando que a Corte tratou o desfile como uma manifestação cultural, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanece inelegível por motivos que, segundo o deputado, são menos graves. O parlamentar adiantou que, caso Lula registre sua candidatura para as eleições de 2026, ele ingressará com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), manifestou também a intenção de acionar a Justiça Eleitoral, embora não tenha detalhado o tipo de ação que pretende protocolar. Marinho afirmou que não aceitará a normalização do uso de eventos culturais como instrumentos de promoção pessoal e eleitoral.

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“Adotaremos todas as medidas judiciais cabíveis para que se apure eventual abuso de poder político e uso indevido de estruturas que deveriam servir a todos os brasileiros”, declarou o senador em suas redes sociais.

A Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial do Carnaval do Rio, homenageou Lula com o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A escolha do tema gerou polêmica e levou a diversas manifestações contrárias, incluindo ações judiciais de outros políticos e partidos.

O desfile da escola de samba foi transmitido ao vivo, atraindo a atenção de milhões de espectadores, e gerou reações diversas nas redes sociais. A agremiação, fundada em 2018, conquistou seu lugar no carnaval carioca após vencer a Série Ouro em 2025, competindo agora com escolas tradicionais como Mangueira e Portela.

Além das ações de Nikolas Ferreira e Rogério Marinho, outros políticos também se manifestaram contra o desfile. O partido Novo, por exemplo, protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para impedir que a Acadêmicos de Niterói recebesse um repasse de R$ 1 milhão da Embratur, mas o pedido foi negado pelo relator do caso.

O carnaval, que é um dos eventos culturais mais importantes do Brasil, continua a ser um espaço de expressão política e social, refletindo as tensões e polarizações da sociedade brasileira. A situação envolvendo o desfile da Acadêmicos de Niterói e as reações de figuras políticas evidenciam a complexidade do cenário atual.

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