Advogados alegam que mudança de relatoria para André Mendonça feriu a garantia do juiz natural.
16 de Fevereiro de 2026 às 18h36

Defesa de Daniel Vorcaro pede nulidade de processo no STF após troca de relator

Advogados alegam que mudança de relatoria para André Mendonça feriu a garantia do juiz natural.

A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, está considerando solicitar a nulidade do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento central é que houve uma violação da garantia do juiz natural após a recente troca de relator do caso. Na semana passada, o ministro Dias Toffoli se afastou da condução do processo após a Polícia Federal encontrar referências ao seu nome no telefone celular de Vorcaro. Com isso, o tribunal designou um novo relator por sorteio, que é o ministro André Mendonça.

Os advogados de Vorcaro ressaltam que essa alteração na relatoria ocorreu sem que Toffoli se declarasse formalmente suspeito. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) estabelece que um juiz pode se afastar de um caso em situações de impedimento, como quando uma das partes é parente, ou em casos de suspeição, que envolvem relações com os fatos investigados.

A garantia do juiz natural está prevista na Constituição Federal, que afirma que “não haverá juízo ou tribunal de exceção” e que “ninguém será processado nem sentenciado se não pela autoridade competente”. O caso Master chegou ao STF após a defesa de Vorcaro argumentar que um material apreendido durante a investigação mencionava um deputado federal, o que justificaria a tramitação do processo na Corte. Na ocasião, Toffoli foi designado como relator e determinou que todos os inquéritos relacionados ao banco fossem enviados ao seu gabinete.

A decisão de encaminhar o caso ao STF foi alvo de críticas por parte de parlamentares da oposição. Um pedido para que Toffoli se afastasse da relatoria foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Parlamentares levantaram questões sobre a imparcialidade de Toffoli após o colunista Lauro Jardim revelar que o ministro viajou para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América acompanhado de um advogado de um dos executivos do Master que está sob investigação.

Além disso, Toffoli também enfrentou pedidos de afastamento após a divulgação de que dois de seus irmãos venderam participação acionária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, Paraná, para um fundo gerido pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que é pastor e empresário. O ministro admitiu ser sócio da empresa administrada por seus irmãos e, portanto, também proprietário do empreendimento.

Reportagens de veículos de comunicação destacaram que Zettel está ligado a uma rede de fundos de investimento geridos pela Reag, gestora que está sendo investigada por suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.

O jornal O GLOBO também noticiou que seguranças que atuam no STF viajaram em feriados e recessos do Judiciário para a região onde se localiza o resort Tayayá, frequentado por Toffoli. Ao todo, foram 128 dias de deslocamento, com um custo de R$ 460 mil em diárias.

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