Ministro autoriza prisão domiciliar de ex-assessor de Weverton Rocha investigado por fraudes
Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador maranhense, estava preso desde dezembro; decisão foi tomada após pedido da defesa.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a prisão domiciliar de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que estava detido desde dezembro de 2022. Gaspar é investigado na Operação Sem Desconto, que apura desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A decisão do ministro foi motivada pelo estado de saúde de Michelle Ribeiro Araújo, esposa de Gaspar, que apresenta sequelas de um Acidente Vascular Encefálico (AVE) e necessita de cuidados diários. O laudo médico anexado ao processo atesta a incapacidade total de Michelle para o trabalho e a necessidade de assistência contínua.
Gustavo Gaspar foi preso durante a última fase da operação, que revelou um esquema de entrega de dinheiro em espécie, supostamente operado em parceria com Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Este último é suspeito de liderar um esquema de fraudes em aposentadorias.
O ex-assessor, que ocupou o cargo de assistente sênior na liderança do PDT no Senado entre 2019 e 2023, foi exonerado após denúncias de que atuava como funcionário fantasma, recebendo um salário de R$ 17,2 mil sem comparecer ao trabalho. Sua defesa nega as acusações, classificando-as como “fantasiosas” e afirma que apresentará as devidas explicações no momento apropriado.
A autorização para a prisão domiciliar foi concedida após a defesa de Gaspar argumentar que ele e sua esposa não têm familiares no Distrito Federal, o que dificultaria o suporte necessário em caso de sua detenção. O pai de Michelle reside em Macapá e sua mãe em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
O ministro Mendonça também determinou que a Polícia Federal realizasse uma perícia para avaliar o estado de saúde de Michelle e seu nível de dependência. O laudo constatou sequelas neurológicas permanentes, que incluem dificuldades de coordenação e equilíbrio.
A Procuradoria-Geral da República manifestou apoio à mudança de prisão, considerando que Gustavo Gaspar presta cuidados contínuos à esposa. Com a decisão, o ex-assessor está proibido de deixar o país e de manter contato com outros investigados na operação.
As investigações revelaram que Gaspar teria solicitado a abertura e gestão de uma empresa em seu nome, que supostamente seria utilizada no esquema criminoso. Conversas interceptadas indicam que o “Careca do INSS” orientava seus colaboradores a se encontrarem com Gaspar para a entrega de “encomendas”, termos que, segundo a Polícia Federal, se referem a dinheiro em espécie.
A Operação Sem Desconto, que investiga o desvio de recursos do INSS, continua em andamento, e novas revelações podem surgir à medida que as investigações se aprofundam.
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