Senador Carlos Viana critica decisão do STF sobre sigilo de amiga de Lulinha
Presidente da CPMI do INSS expressa indignação e questiona interferência do Judiciário nas investigações.
O senador Carlos Viana, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, manifestou sua indignação em relação à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão de Dino, que foi proferida na manhã de quarta-feira (4), gerou um clima de insatisfação entre os membros da CPMI, que consideram a quebra de sigilo uma ferramenta essencial para a investigação em andamento. Luchsinger teve seus sigilos fiscal, bancário e telemático quebrados na mesma decisão que afetou Lulinha.
“Recebo com profunda indignaçã e enorme preocupação a decisão do STF”, declarou Viana a jornalistas. Ele ressaltou que a quebra de sigilo da empresária estava respaldada pelo regimento do Congresso e já havia passado pela supervisão do comando da Casa.
O senador e o relator da CPMI, Alfredo Gaspar, do União Brasil, afirmaram que a decisão de Dino pode ser estendida a Lulinha, mas que o caso ainda está sob análise da advocacia do Senado.
Viana aproveitou a ocasião para criticar o que chamou de interferência do Judiciário nos trabalhos do Legislativo. “Até quando o Parlamento aceitará? Quando vai reagir? O Congresso representa o povo brasileiro e exigimos respeito”, protestou o senador.
A CPMI do INSS está considerando a possibilidade de recorrer ao STF contra a decisão de Dino. O colegiado já aprovou requerimentos com 87 quebras de sigilo, e a anulação da quebra de Luchsinger é vista como uma manobra que poderia blindar Lulinha.
O presidente da CPMI enfatizou que a quebra de sigilos é crucial para o andamento das investigações, que visam apurar se Lulinha teria sido destinatário indireto de repasses investigados em um esquema de fraudes no INSS.
Além disso, Viana destacou que a decisão de Dino poderia abrir precedentes para que outros investigados questionem a validade de requerimentos semelhantes. Ele expressou preocupação com a possibilidade de que a defesa de Lulinha também busque anular as quebras de sigilo que o envolvem.
A CPMI, que já enfrenta desafios em suas investigações, agora se vê em uma situação delicada após a decisão do STF. O relator da comissão, Alfredo Gaspar, está elaborando o relatório final, que deverá embasar as conclusões sobre as investigações em curso.
Roberta Luchsinger foi alvo da operação Sem Desconto, e segundo a Polícia Federal, ela estaria ligada a um grupo que atuava na movimentação de valores e na gestão de estruturas empresariais usadas para ocultação de patrimônio. A investigação também trouxe à tona menções ao nome de Lulinha em diversos documentos.
A CPMI do INSS continua a se mobilizar para garantir que suas investigações não sejam prejudicadas por decisões judiciais que possam limitar o acesso a informações relevantes.
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