Presidente da CPMI do INSS expressa indignação e questiona interferência do Judiciário nas investigações.
04 de Março de 2026 às 17h09

Senador Carlos Viana critica decisão do STF sobre sigilo de amiga de Lulinha

Presidente da CPMI do INSS expressa indignação e questiona interferência do Judiciário nas investigações.

O senador Carlos Viana, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, manifestou sua indignação em relação à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão de Dino, que foi proferida na manhã de quarta-feira (4), gerou um clima de insatisfação entre os membros da CPMI, que consideram a quebra de sigilo uma ferramenta essencial para a investigação em andamento. Luchsinger teve seus sigilos fiscal, bancário e telemático quebrados na mesma decisão que afetou Lulinha.

“Recebo com profunda indignaçã e enorme preocupação a decisão do STF”, declarou Viana a jornalistas. Ele ressaltou que a quebra de sigilo da empresária estava respaldada pelo regimento do Congresso e já havia passado pela supervisão do comando da Casa.

O senador e o relator da CPMI, Alfredo Gaspar, do União Brasil, afirmaram que a decisão de Dino pode ser estendida a Lulinha, mas que o caso ainda está sob análise da advocacia do Senado.

Viana aproveitou a ocasião para criticar o que chamou de interferência do Judiciário nos trabalhos do Legislativo. “Até quando o Parlamento aceitará? Quando vai reagir? O Congresso representa o povo brasileiro e exigimos respeito”, protestou o senador.

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A CPMI do INSS está considerando a possibilidade de recorrer ao STF contra a decisão de Dino. O colegiado já aprovou requerimentos com 87 quebras de sigilo, e a anulação da quebra de Luchsinger é vista como uma manobra que poderia blindar Lulinha.

O presidente da CPMI enfatizou que a quebra de sigilos é crucial para o andamento das investigações, que visam apurar se Lulinha teria sido destinatário indireto de repasses investigados em um esquema de fraudes no INSS.

Além disso, Viana destacou que a decisão de Dino poderia abrir precedentes para que outros investigados questionem a validade de requerimentos semelhantes. Ele expressou preocupação com a possibilidade de que a defesa de Lulinha também busque anular as quebras de sigilo que o envolvem.

A CPMI, que já enfrenta desafios em suas investigações, agora se vê em uma situação delicada após a decisão do STF. O relator da comissão, Alfredo Gaspar, está elaborando o relatório final, que deverá embasar as conclusões sobre as investigações em curso.

Roberta Luchsinger foi alvo da operação Sem Desconto, e segundo a Polícia Federal, ela estaria ligada a um grupo que atuava na movimentação de valores e na gestão de estruturas empresariais usadas para ocultação de patrimônio. A investigação também trouxe à tona menções ao nome de Lulinha em diversos documentos.

A CPMI do INSS continua a se mobilizar para garantir que suas investigações não sejam prejudicadas por decisões judiciais que possam limitar o acesso a informações relevantes.

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