Governo de SP investiga vazamento de fotos do banqueiro Daniel Vorcaro na prisão
A Secretaria de Administração Penitenciária apura a origem das imagens divulgadas, que contrariam normas de sigilo
O governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Administração Penitenciária, iniciou uma investigação para apurar o vazamento de fotos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que foram tiradas durante sua detenção na semana passada. As imagens mostram Vorcaro com cabelo raspado e sem barba, em um uniforme padrão utilizado por todos os detentos ao serem admitidos no sistema prisional.
A apuração foi confirmada pela Secretaria em nota, na qual destaca que “os dados pessoais e as imagens de todos os custodiados no sistema prisional paulista são protegidos nos termos da legislação vigente e que não existem protocolos diferenciados para casos individuais”. A Corregedoria da Polícia Penal acompanha o processo, que visa identificar e responsabilizar os envolvidos no vazamento.
Daniel Vorcaro foi preso no dia 4 de outubro, em sua residência localizada no bairro Jardins, uma área nobre da capital paulista, e posteriormente conduzido à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Após exame de custódia, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, onde permaneceu por uma noite antes de ser levado ao presídio de Potim.
Atualmente, Vorcaro encontra-se na Penitenciária Federal em Brasília, após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que atendeu a um pedido da Polícia Federal. A transferência foi justificada pela necessidade de garantir a integridade física do investigado e assegurar maior controle sobre sua custódia.
A divulgação das fotos gerou polêmica, uma vez que contraria as normas internas do sistema prisional, que estabelecem sigilo sobre a imagem de detentos. A gestão do governador Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos, se comprometeu a investigar a origem do vazamento e a responsabilizar os culpados.
O caso de Vorcaro está vinculado à terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades em sua gestão à frente do Banco Master. As suspeitas sobre sua atuação no banco reacenderam discussões sobre a relação entre o crescimento da instituição e possíveis conexões com organizações criminosas.
As imagens vazadas mostram o banqueiro algemado e vestido com um uniforme padrão, o que levanta questões sobre a segurança e a privacidade dos detentos. A Polícia Federal investiga se há indícios de que parte dos recursos que sustentaram o crescimento do banco tenham origem ilícita, o que elevou a gravidade do caso ao STF.
Além disso, a investigação também examina empréstimos considerados atípicos e transações financeiras suspeitas envolvendo a gestora Reag, que teria registrado rentabilidades extraordinárias. A defesa de Vorcaro afirmou que ele colaborou com as autoridades e não obstruiu as investigações relacionadas ao caso.
A Secretaria de Administração Penitenciária reafirmou seu compromisso com a proteção dos dados dos custodiados e a necessidade de apurar o vazamento das imagens, que não apenas violam normas internas, mas também comprometem a integridade do sistema prisional.
Veja também: