Advogados argumentam que a situação jurídica de Marcola é similar à do banqueiro Daniel Vorcaro, que obteve autorização do Supremo.
12 de Março de 2026 às 15h42

Defesa de Marcola pede visitas sem monitoramento, citando decisão do STF sobre Vorcaro

Advogados argumentam que a situação jurídica de Marcola é similar à do banqueiro Daniel Vorcaro, que obteve autorização do Supremo.

A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e considerado o principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), anunciou que solicitará à Justiça o direito de realizar visitas de advogados sem monitoramento na Penitenciária Federal de Brasília.

O pedido será fundamentado na recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o banqueiro Daniel Vorcaro a se reunir com seus advogados sem gravações de áudio e vídeo. O advogado Bruno Ferullo, que representa Marcola, destacou a semelhança entre os casos.

“A comunicação entre advogado e cliente preso deve ser inviolável”, afirmou Ferullo, enfatizando que essa é uma garantia prevista no Estatuto da Advocacia e na Lei de Execução Penal.

No caso de Vorcaro, o magistrado decidiu que as reuniões com seus advogados ocorreriam sem monitoramento, além de dispensar agendamentos prévios e permitir a entrega de documentos durante as visitas.

A defesa de Marcola argumenta que o entendimento do STF reforça a necessidade de garantir a confidencialidade nas comunicações entre advogados e clientes, essencial para o direito de defesa.

“Protocolaremos um pedido semelhante junto ao juiz corregedor do presídio onde Marcola está custodiado”, afirmou o advogado.

Se o pedido for negado na primeira instância, a defesa já planeja recorrer ao STF, buscando assegurar os mesmos direitos concedidos a Vorcaro.

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A discussão sobre a flexibilização do monitoramento das visitas ganhou força após a decisão do STF, que gerou preocupações entre gestores e agentes penitenciários. Interlocutores da área de segurança temem que essa mudança possa abrir precedentes para pedidos semelhantes por líderes de facções criminosas, incluindo integrantes do PCC.

A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) manifestou sua posição contrária à flexibilização do monitoramento, afirmando que isso pode impactar a segurança institucional e permitir comunicações indevidas entre presos e seus advogados.

Em nota, a Senappen afirmou que cumprirá a decisão do STF assim que for formalmente notificada, mas ressaltou que mudanças nos protocolos operacionais do sistema penitenciário devem ser tratadas com cautela.

O receio entre os profissionais de segurança é que a redução do controle sobre as comunicações de presos influentes possa comprometer a segurança do sistema prisional, especialmente em relação a líderes de organizações criminosas.

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