Advogados solicitam que visitas ao cliente na Penitenciária Federal sejam sem monitoramento e ameaçam transferência
09 de Março de 2026 às 16h24

Defesa de banqueiro Daniel Vorcaro aciona STF para barrar gravação de conversas na prisão

Advogados solicitam que visitas ao cliente na Penitenciária Federal sejam sem monitoramento e ameaçam transferência

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a gravação das conversas entre o banqueiro e seus advogados na Penitenciária Federal de Brasília. Em nota divulgada nesta segunda-feira, 9, a equipe jurídica argumenta que a gravação dos encontros fere as prerrogativas profissionais e o direito constitucional à defesa.

Vorcaro, que cumpre custódia na unidade de segurança máxima, enfrenta um regime que impõe o registro obrigatório de áudio e vídeo durante todos os atendimentos no parlatório. Os advogados sustentam que a comunicação sigilosa entre advogado e cliente é uma garantia essencial prevista no Estatuto da Advocacia e na Lei de Execução Penal.

Com a negativa da direção do presídio em permitir encontros sem vigilância, a defesa solicitou ao STF que assegure o ingresso com cópias dos autos e a possibilidade de registro de anotações sem interferência. Caso a política de monitoramento total permaneça, os advogados ameaçam pedir a transferência imediata de Vorcaro para outra unidade em Brasília que respeite o sigilo das conversas.

A permanência de Vorcaro na Penitenciária Federal de Brasília o submete a um dos regimes mais severos do sistema carcerário brasileiro. Sob a gestão da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), as regras limitam drasticamente o contato externo: os detentos não têm acesso a rádio ou televisão, e o banho de sol é restrito a duas horas diárias, sempre sob vigilância constante. Todo deslocamento interno exige o uso de algemas e o acompanhamento de, no mínimo, dois agentes federais.

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As visitas em unidades de segurança máxima ocorrem exclusivamente por interfone, com separação física por vidro blindado, ou via videoconferência monitorada. O sistema de monitoramento ininterrupto por circuito interno abrange também as interações jurídicas, que são o ponto central do atual embate entre a defesa de Vorcaro e as autoridades penais.

Desde sua prisão, na última quarta-feira, 4, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes atribuídas a ele e seus aliados, os advogados informaram que ainda não conseguiram visitar o banqueiro. A defesa destacou que a comunicação reservada é fundamental para o pleno exercício do direito de defesa.

O STF ainda não se manifestou sobre o pedido da defesa. Vorcaro, que foi transferido para a penitenciária federal após deixar um presídio estadual em São Paulo, deve passar a maior parte do tempo em sua cela, com restrições severas às suas atividades diárias.

A Penitenciária Federal de Brasília é uma das cinco prisões de segurança máxima geridas pelo governo federal e abriga diversos detentos de alta periculosidade, incluindo líderes de facções criminosas. O futuro de Vorcaro na unidade depende da decisão do STF sobre as solicitações de sua defesa.

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