Defesa de Daniel Vorcaro solicita acesso a perícia de celulares apreendidos na investigação
Advogados do banqueiro destacam importância do acesso para garantir integridade das provas digitais
A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, reforçou seu pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obter acesso integral às perícias realizadas nos celulares apreendidos durante a investigação da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no banco. O pedido foi protocolado em 16 de fevereiro e, segundo os advogados, ganhou relevância após a divulgação de mensagens e arquivos extraídos dos dispositivos do banqueiro.
Os advogados argumentam que o acesso permitirá uma análise independente do material por um assistente técnico indicado pela defesa, conforme previsto na legislação processual. Eles ressaltam que a intenção é avaliar os procedimentos adotados na obtenção e no tratamento das provas digitais.
“O objetivo é garantir a transparência e a integridade das provas, respeitando o devido processo legal”, afirmaram os defensores. O pedido inclui acesso aos dados brutos extraídos dos aparelhos, laudos periciais, imagens forenses e registros técnicos de extração.
A defesa expressou preocupação com o que classificaram como “vazamentos seletivos” de conteúdos que estariam sob sigilo judicial. Eles afirmaram que qualquer material obtido será utilizado exclusivamente para fins processuais, mantendo o sigilo das informações.
Na última sexta-feira (6), o ministro André Mendonça, do STF, determinou a abertura de um inquérito para investigar o vazamento das informações do celular de Vorcaro. Em sua decisão, o ministro destacou que o compartilhamento da quebra de sigilo não autoriza a divulgação das informações por integrantes da CPI.
O Poder360 teve acesso a um dos documentos centrais da investigação, que contém 1.687 páginas de mensagens trocadas entre Vorcaro e sua ex-namorada, Martha Graeff, abrangendo o período de 2 de outubro de 2024 a 31 de agosto de 2025. As conversas revelam, entre outros assuntos, encontros do banqueiro com políticos e sua relação com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Além das mensagens pessoais, os dados apreendidos incluem registros de gastos de Vorcaro com viagens internacionais e eventos de alto padrão, refletindo sua rotina como empresário. Os documentos também mostram compromissos e encontros relacionados à atividade empresarial do banqueiro.
Vorcaro foi preso novamente em 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, após já ter sido detido anteriormente. Ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, onde permanece sob custódia.
A Polícia Federal, em comunicado, afirmou que os relatórios das investigações não contêm dados da vida privada dos investigados e que as informações foram disponibilizadas apenas para as defesas e para a CPMI do INSS, conforme determinação judicial.
O ministro Dias Toffoli, que anteriormente relatou o caso, afirmou que não teve acesso às informações encontradas no celular de Vorcaro enquanto esteve à frente das investigações. Ele destacou que todas as medidas solicitadas pela Polícia Federal foram deferidas e que as investigações continuaram de forma regular.
A defesa de Vorcaro aguarda a análise do pedido pelo STF, que pode ter implicações significativas para o andamento do processo e para a preservação das provas digitais.
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