Três celulares foram apreendidos durante nova prisão do dono do Banco Master, que enfrenta acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.
08 de Março de 2026 às 12h41

Polícia Federal apreende novos celulares de Daniel Vorcaro em investigação de fraudes

Três celulares foram apreendidos durante nova prisão do dono do Banco Master, que enfrenta acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal (PF) apreendeu três celulares do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante sua prisão em São Paulo na última quarta-feira (4). Com essa nova apreensão, o total de dispositivos coletados sobe para oito, o que amplia as possibilidades de investigação sobre um esquema bilionário de fraudes financeiras, que envolve corrupção e lavagem de dinheiro.

Os aparelhos apreendidos ainda estão lacrados e não passaram por perícia. Até o momento, apenas um dos celulares foi analisado, com cerca de 30% do conteúdo já examinado pelas autoridades. A expectativa é que a inclusão dos novos dispositivos acelere a extração de dados, essencial para aprofundar a apuração do caso.

As informações sobre a apreensão foram repassadas aos auxiliares do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF e o gabinete de Mendonça devem se reunir na próxima semana para discutir o andamento das investigações e definir os próximos passos. Devido à complexidade do caso, os investigadores consideram necessária a inclusão de mais peritos e analistas para dar celeridade à análise dos dados.

A prisão de Vorcaro ocorreu na terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. A ordem de prisão foi decretada após a análise de mensagens de um dos celulares do empresário, que indicam tentativas de interferência em decisões regulatórias, além de ameaças e corrupção. As mensagens incluem referências a políticos e autoridades de alto escalão, e a análise do conteúdo obtido até agora tem revelado a extensão do esquema de fraude.

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Além das apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens de Vorcaro, como forma de ressarcir os danos ao sistema financeiro. Atualmente, o banqueiro está detido na Penitenciária Federal de Brasília, uma unidade de segurança máxima. Sua cela, de apenas 6 metros quadrados, não possui TV e ele compartilha o espaço com outros criminosos de alta periculosidade.

Em uma reviravolta no caso, a defesa de Vorcaro solicitou ao STF acesso completo aos dados de perícia dos celulares apreendidos. A defesa alega que há vazamentos de informações sigilosas dos aparelhos, que têm sido usados para expor e humilhar o cliente. Os advogados argumentam que a divulgação de fotos de Vorcaro dentro da unidade prisional também seria uma tentativa de desgastá-lo publicamente.

Além de tentar reverter a situação, a defesa de Vorcaro afirmou que pedirá a instauração de um inquérito para apurar a origem dos vazamentos. A informação veio à tona após o conteúdo de mensagens trocadas entre Vorcaro e sua namorada, a modelo Martha Graeff, ser revelado. Essas mensagens discutem encontros, viagens e diálogos com figuras políticas, incluindo os nomes de Ciro Nogueira, Lula, Bolsonaro e ministros do STF.

A operação segue em andamento, com foco na investigação das fraudes bancárias e no envolvimento de Vorcaro e sua rede de contatos em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

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