Decisão da PGR se baseia na falta de legislação clara sobre a propriedade de presentes recebidos por presidentes.
05 de Março de 2026 às 11h08

PGR arquiva inquérito sobre suposto desvio de joias recebidas por Jair Bolsonaro

Decisão da PGR se baseia na falta de legislação clara sobre a propriedade de presentes recebidos por presidentes.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar o inquérito que investigava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposto desvio de joias e presentes de alto valor recebidos durante seu mandato. O parecer foi assinado pelo procurador-geral, Paulo Gonet, e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 4 de março de 2026.

No documento de 16 páginas, Gonet argumenta que a ausência de uma legislação clara sobre a propriedade dos bens impede a caracterização do crime de peculato, que se refere à apropriação indevida de bens públicos. Segundo o procurador, não há norma legal que defina se presentes recebidos por um chefe de Estado pertencem à União ou ao patrimônio pessoal do presidente.

“Não existe normatização, por via de lei em sentido formal, sobre a destinação e a dominialidade de presentes recebidos pelo presidente da República de autoridades estrangeiras. A segurança jurídica exige uma definição clara sobre a titularidade desses bens”, destacou Gonet em seu parecer.

A investigação teve origem em relatórios da Polícia Federal (PF) que apontaram um esquema para desvio e venda de bens entregues por autoridades estrangeiras. Entre os itens citados estão um “kit ouro rosé” da marca Chopard, um relógio Rolex de ouro branco e várias joias recebidas em viagens à Arábia Saudita e ao Bahrein.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

O indiciamento da PF alegou que os bens teriam sido levados aos Estados Unidos no avião presidencial e posteriormente encaminhados para casas de leilão. O general Mauro Cesar Lourena Cid foi mencionado como um dos envolvidos, supostamente auxiliando seu filho, Mauro Cid, no armazenamento e venda dos itens, repassando os valores ao ex-presidente.

A PF indiciou Bolsonaro e outros aliados por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Apesar de reconhecer o trabalho “inteligente e diligente” da PF na apuração dos fatos, Gonet concluiu que não há base jurídica para uma denúncia criminal.

“Os esforços dos indiciados para que os bens fossem levados à venda a terceiros não configuram atitudes expressivas do cometimento do crime submetido a escrutínio”, afirmou o procurador.

O arquivamento do caso foi recebido com alívio por parte da defesa de Bolsonaro, que acredita que a decisão da PGR será ratificada pelo STF. A defesa argumenta que a investigação nunca deveria ter sido instaurada, considerando-a infundada.

Veja também:

Tópicos: