Libertação ocorre em meio a protestos de familiares e enquanto quase 500 continuam detidos por motivos políticos
08 de Março de 2026 às 12h11

Venezuela liberta 17 presos políticos após anistia sancionada pela presidente interina

Libertação ocorre em meio a protestos de familiares e enquanto quase 500 continuam detidos por motivos políticos

No último sábado (7), pelo menos 17 presos políticos foram libertados de uma penitenciária em Caracas, Venezuela. A liberação ocorreu após protestos de parentes dos detentos, que se acorrentaram em frente ao complexo penitenciário, exigindo a soltura do grupo.

A medida de anistia foi sancionada há duas semanas pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o governo do país após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana no dia 3 de janeiro. O irmão de Delcy, Jorge Rodríguez, que é presidente do Parlamento, anunciou em 8 de janeiro o início do processo de liberações.

Durante a saída dos detentos, um agente penitenciário afirmou: “Vistam-se que vão todos embora”, conforme relatou o opositor Omar Torres, que foi um dos libertados da prisão da Polícia Nacional, conhecida como Zona 7.

Omar expressou sua felicidade: “Estou muito feliz, acho que não é o momento de culpar ninguém, estou feliz por estar livre”. Ao contrário de outros libertados em diferentes prisões, os detentos da Zona 7 deixaram o local com medidas restritivas e devem comparecer aos tribunais para obter a liberdade plena.

Segundo a ONG Foro Penal, quase 500 pessoas ainda permanecem detidas por motivos políticos, incluindo militares e estrangeiros. Brayan Orozco, filho do ex-deputado Fernando Orozco, também libertado, declarou: “Uma nova Venezuela, seguimos avançando, seguiremos construindo, seguiremos buscando a melhoria e a liberdade dos outros presos políticos”.

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Em meio a gritos de “liberdade, liberdade”, Brayan agradeceu ao povo venezuelano e destacou a importância da luta das mulheres e da imprensa para que a situação dos detentos fosse conhecida mundialmente.

Familiares dos detentos têm acampado em barracas em frente ao centro penitenciário há dois meses. Algumas mulheres iniciaram uma greve de fome, que foi suspensa após as liberações de 14 de fevereiro, quando 17 pessoas deixaram a prisão.

Os familiares solicitaram a presença de Delcy Rodríguez e da encarregada de Negócios dos Estados Unidos, Laura Dogu, durante as manifestações. Desde 8 de janeiro, mais de 620 presos políticos foram libertados, incluindo mais de 100 após a promulgação da anistia, conforme informações do Foro Penal.

O governo venezuelano afirma que 7.365 pessoas, entre detidos e aqueles com liberdade condicional, receberam liberdade plena.

Um dos libertados, Gilberto Alcalá, comentou: “Fui detido por reivindicar um direito dos trabalhadores” e agradeceu à sua líder, María Corina Machado, e aos dirigentes sindicais do setor da construção que o apoiaram durante sua luta.

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