Proposta que regulamenta motoristas e entregadores de aplicativos pode ser votada em abril, com debate sobre valor mínimo por entrega.
10 de Março de 2026 às 18h19

Câmara dos Deputados deve votar regulamentação do trabalho por aplicativos em abril

Proposta que regulamenta motoristas e entregadores de aplicativos pode ser votada em abril, com debate sobre valor mínimo por entrega.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a proposta de regulamentação do trabalho por meio de aplicativos será votada em plenário até o início de abril. A informação foi divulgada nesta terça-feira (10) durante uma reunião com ministros e o relator do projeto, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE).

A nova versão do relatório manterá o valor mínimo para entregas, mas não incluirá um piso para corridas. Essa decisão se deve ao fato de que cerca de 25% das corridas ficam abaixo do valor estipulado anteriormente, que era de R$ 8,50. Com isso, a proposta busca evitar a exclusão de motoristas do texto.

O relator, Coutinho, se reunirá com representantes do governo, incluindo os ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), para discutir a fixação de um piso de R$ 10 por entrega, além de um adicional de R$ 2 por quilômetro rodado. Essa demanda é uma reivindicação dos entregadores, que também pedem melhorias nos repasses em casos de entregas agrupadas.

Boulos destacou a importância de uma regulamentação que garanta condições dignas de trabalho para os profissionais do setor, afirmando que a aprovação do projeto é fundamental para equilibrar a situação desses trabalhadores.

O governo federal argumenta que, atualmente, as plataformas de entrega cobram o preço cheio dos consumidores, mas repassam um valor único ao entregador, o que gera insatisfação entre os trabalhadores. Caso não haja um consenso com o relator, o governo pretende apresentar emendas durante a votação no plenário.

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A proposta de regulamentação se restringirá a motoristas e entregadores de aplicativos, evitando que o projeto atinja outros tipos de trabalho intermediado por plataformas. Além disso, a Justiça do Trabalho será mantida como foro para eventuais demandas legais relacionadas a esses trabalhadores.

Outra mudança significativa na nova versão do relatório é a exclusão de penduricalhos, como pagamento equivalente ao 13º salário e adicional noturno. No entanto, a obrigatoriedade de transparência e o recolhimento de contribuições para o INSS por parte dos trabalhadores e das plataformas permanecerão.

Hugo Motta enfatizou que a regulamentação do trabalho por aplicativos é uma prioridade para o parlamento, ressaltando a necessidade de garantir direitos trabalhistas para milhões de profissionais que atuam sem proteção legal.

A expectativa é que as negociações avancem nas próximas semanas, com o objetivo de que o texto seja votado na comissão especial até o fim de março, antes de seguir para o plenário.

Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, afirmou que o mais importante é que o projeto chegue ao plenário, ressaltando que a situação atual é insustentável para trabalhadores e empregadores.

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