Paulo Azi destaca a importância da transição para nova jornada de trabalho antes das eleições.
11 de Março de 2026 às 16h12

Relator da PEC da escala 6x1 prevê votação na CCJ da Câmara para abril

Paulo Azi destaca a importância da transição para nova jornada de trabalho antes das eleições.

O deputado federal Paulo Azi (União-BA), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1, anunciou que pretende apresentar seu parecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em abril. A declaração foi feita durante um almoço promovido pela Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios em Brasília, na última quarta-feira (11).

O cronograma de votação adia a previsão inicial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que havia indicado que a proposta seria analisada em março. A CCJ é a primeira etapa de tramitação da PEC, responsável apenas por avaliar a admissibilidade constitucional do texto, sem entrar no mérito da proposta.

Se a CCJ aprovar a PEC, espera-se que Motta encaminhe a matéria para uma comissão especial, que terá a função de discutir e modificar o texto. Azi afirmou que a criação dessa comissão pode ocorrer em maio, com a expectativa de que a proposta seja levada ao plenário antes do recesso parlamentar, previsto para julho, e do início da campanha eleitoral.

“A nossa ideia é de que, em abril, possamos apresentar o nosso parecer à CCJ. E, sendo o parecer pela constitucionalidade do texto, pela admissibilidade, provavelmente, em maio, o presidente [Hugo Motta] vai indicar uma comissão especial”, destacou Azi.

O relator também enfatizou que o desejo de Motta é que a proposta seja submetida ao plenário da Câmara antes do recesso, que se inicia no final de julho. O fim da escala 6x1 é uma das prioridades do presidente da Câmara para 2026, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também incluiu essa mudança em sua campanha à reeleição.

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Membros do governo defendem a redução da jornada máxima de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem alteração nos salários. O modelo proposto pelo Palácio do Planalto é de cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso, conhecido como 5x2.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor de uma das propostas relatadas por Azi, ressaltou a necessidade de buscar uma “convergência” em torno do texto. Lopes defendeu que o debate se concentre na redução da jornada para 40 horas semanais e na definição da escala 5x2.

“É possível construirmos uma convergência para que tenhamos uma modernização do mundo do trabalho, e o debate deve se concentrar é em 40 horas e cinco por dois”, ponderou Lopes.

Embora a CCJ não tenha a responsabilidade de modificar o texto da PEC, Paulo Azi ressaltou a importância de discutir o conteúdo da proposta. O deputado defendeu que eventuais mudanças na jornada máxima de trabalho devem ser acompanhadas de um período de transição.

“Não pode ser da noite para o dia. É necessário que exista um período de transição para que os setores possam se adequar”, defendeu.

Azi classificou como um “desafio” discutir o fim da escala 6x1 em um ano eleitoral, alertando para o risco de que o debate seja contaminado por demagogia e populismo. “Penso que é possível avançar nesse debate, mas isso precisa ser discutido com responsabilidade e equilíbrio”, ressaltou o deputado.

Nos próximos dias, a CCJ deve ouvir o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a proposta. Em seguida, o colegiado também ouvirá representantes sindicais e do setor produtivo.

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