Durante depoimento à CPI do Crime Organizado, Mansur defendeu a transparência da Reag e criticou investigações.
11 de Março de 2026 às 13h55

Fundador da Reag, João Carlos Mansur, confirma cliente Master e nega vínculos com PCC

Durante depoimento à CPI do Crime Organizado, Mansur defendeu a transparência da Reag e criticou investigações.

O fundador da gestora de investimentos Reag, João Carlos Mansur, confirmou nesta quarta-feira (11) à CPI do Crime Organizado que o Banco Master era um dos clientes da empresa. Ele negou, entretanto, qualquer irregularidade nas transações realizadas e se defendeu das acusações de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mansur, que foi convocado para depor sobre as investigações que envolvem sua empresa, destacou que a Reag sempre atuou com um alto nível de governança e transparência. “O Banco Master era um dos nossos clientes, como outros bancos e instituições financeiras. Era um cliente normal”, afirmou durante sua fala.

As investigações da Polícia Federal, que resultaram na operação Carbono Oculto, apontaram que a Reag poderia estar envolvida em fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. Mansur, no entanto, rebateu as acusações, dizendo que a empresa foi “penalizada por ser grande e independente” no mercado financeiro.

O empresário enfatizou que a Reag não tinha qualquer ligação com o PCC, afirmando que “não existe nenhuma menção à associação com o crime organizado” nos documentos que foram apresentados à CPI. Ele ainda criticou a forma como a empresa foi tratada durante as investigações, descrevendo a situação como um “rolo compressor” que afetou a reputação da gestora.

Durante o depoimento, Mansur se manteve calado em várias ocasiões, amparado por um habeas corpus que lhe garante o direito ao silêncio em relação a perguntas que poderiam incriminá-lo. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), questionou Mansur sobre a relação entre a Reag e o PCC, mas o empresário optou por não responder.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

A Reag foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano, após as investigações que indicaram sua participação em operações irregulares. Mansur afirmou que a empresa sempre foi auditada por instituições respeitáveis e que nunca captou recursos públicos, operando apenas com investidores qualificados.

Ele ainda ressaltou que a Reag, até agosto do ano passado, contava com cerca de 800 funcionários e gerenciava aproximadamente 700 fundos de investimento. “A gente escolheu o nível de governança mais alto possível, com nomes de referência no mercado e operações muito claras e transparentes”, disse Mansur.

Além disso, o depoente mencionou que a Reag tinha um compromisso com a ética e a legalidade em suas operações, e que as acusações que recaem sobre a empresa são infundadas. Ele lamentou a situação, afirmando que o mercado penaliza empresas que se destacam pela independência.

A CPI também discutiu a quebra de sigilos de outros envolvidos nas investigações, incluindo o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que foi preso por suspeitas de envolvimento em fraudes. O senador Contarato indicou que a operação Carbono Oculto revelou um esquema de movimentação de recursos que poderia estar ligado a atividades criminosas.

As investigações continuam, e a CPI busca esclarecer todos os aspectos relacionados às operações do Banco Master e da Reag. O próximo passo será convocar novos depoentes e analisar documentos que possam trazer mais clareza sobre as relações entre as instituições financeiras e o crime organizado.

Veja também:

Tópicos: