Decisão suspende cobranças de dívidas enquanto a empresa busca reestruturação financeira
12 de Março de 2026 às 10h34

Justiça aprova recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar por 180 dias

Decisão suspende cobranças de dívidas enquanto a empresa busca reestruturação financeira

O juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, deferiu nesta quarta-feira (11) o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), controlador da famosa rede de supermercados Pão de Açúcar. A decisão foi tomada em meio a um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia.

Na sua análise, o magistrado constatou a regularidade da documentação apresentada pelo GPA e determinou a suspensão das cobranças relacionadas às dívidas incluídas no plano de recuperação por um período de 180 dias. Essa medida visa proporcionar um ambiente mais favorável para a reestruturação das obrigações financeiras da empresa.

Além disso, o juiz ordenou que a Fazenda Nacional, assim como as fazendas estaduais e municipais, sejam notificadas sobre a decisão, permitindo que esses entes públicos apresentem impugnação ao pedido no prazo de 30 dias, caso tenham interesse.

O GPA, que enfrenta contingências fiscais e trabalhistas estimadas em aproximadamente R$ 17 bilhões, anunciou que o plano de recuperação abrange dívidas sem garantia que totalizam cerca de R$ 4,5 bilhões. As obrigações correntes, como pagamentos a fornecedores e salários, não estão incluídas nesse processo.

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O plano foi firmado com credores que detêm 46% da dívida, ou seja, R$ 2,1 bilhões, e a aprovação da reestruturação exige o apoio de pelo menos um terço dos créditos afetados. O GPA informou que, durante o período de suspensão, buscará a adesão dos demais credores ao acordo.

Em nota, o GPA destacou que “o plano tem efeitos imediatos e cria um ambiente seguro e estável para a continuidade das negociações por 90 dias”. Durante esse tempo, a empresa pretende garantir o apoio necessário para a sua recuperação financeira.

Além da recuperação extrajudicial, o GPA enfrenta um capital circulante negativo de R$ 1,22 bilhão e dívidas de R$ 1,7 bilhão que vencem em 2026. Analistas apontam que, para reequilibrar suas finanças, a companhia precisará não apenas renegociar com credores, mas também buscar empréstimos, aumentar seu capital ou vender ativos.

Recentemente, o grupo havia comunicado que estava em “negociações construtivas com determinados credores” para a repactuação de dívidas financeiras e outras obrigações de curto prazo não relacionadas à operação. Para auxiliar nesse processo, o GPA contratou o escritório de advocacia Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas.

O GPA também tem adotado uma série de medidas para conter seus gastos, incluindo a renegociação de contratos com credores, a suspensão de investimentos e a venda de imóveis, como parte de sua estratégia para buscar a recuperação financeira e a sustentabilidade a longo prazo.

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