A Raízen estabelece acordo com credores que representa 40% de sua dívida total, garantindo a continuidade de operações.
11 de Março de 2026 às 11h27

Raízen formaliza acordo de recuperação extrajudicial com credores de R$ 70 bilhões

A Raízen estabelece acordo com credores que representa 40% de sua dívida total, garantindo a continuidade de operações.

A Raízen, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do Brasil, anunciou um acordo com seus principais credores e detentores de títulos internacionais, conhecidos como bondholders, para uma recuperação extrajudicial que abrange 40% de sua dívida total, estimada em R$ 70 bilhões.

De acordo com informações divulgadas, os fornecedores da empresa não serão afetados pelo acordo, que deve ser formalizado em breve. Essa medida é considerada um passo crucial para a reestruturação financeira da companhia, que enfrenta desafios significativos em um cenário econômico complicado.

Com a aprovação do plano, a Raízen terá um prazo de 90 dias para negociar uma solução definitiva para sua crise financeira junto aos credores. Essa negociação envolve uma série de assessores financeiros e advogados que atuaram intensamente nos últimos dias para viabilizar o acordo.

Entre os representantes da Raízen estão os escritórios de advocacia Eduardo Munhoz, Pinheiro Neto, XGIVS Advogados, TWK Advogados e Cleary Gottlieb, com a assessoria financeira de Rothschild e Alvarez & Marsal. Por outro lado, os bondholders são assistidos por Mattar Advogados e White & Case, com suporte financeiro de Moelis.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Os bancos credores, que detêm cerca de metade da dívida, são representados por MMSO Advogados e Mayer Brown, com assessoria financeira de FTI Consulting. Essa estrutura complexa reflete a magnitude do desafio enfrentado pela Raízen, que é um dos maiores casos de reestruturação de dívidas do Brasil.

O plano de recuperação extrajudicial foi elaborado em um momento crítico, já que a empresa se aproxima do início da safra de cana, um período que exige um capital de giro significativo. A Raízen mantém a continuidade dos pagamentos aos fornecedores, enquanto o acordo suspende apenas os serviços relacionados às dívidas financeiras.

Após a rejeição de um plano anterior que previa a venda do controle do negócio de distribuição de combustíveis ao BTG, a Raízen agora conta com uma proposta de capitalização da Shell, que inclui um investimento de R$ 3,5 bilhões, além de um compromisso adicional de R$ 500 milhões por parte de Rubens Ometto, um dos principais acionistas da empresa.

As discussões com os credores também incluem a conversão de parte da dívida em participação acionária, com o objetivo de reduzir a alavancagem da empresa para um patamar mais saudável, estimado em três vezes o EBITDA.

Veja também:

Tópicos: