79% dos brasileiros desaprovam que ministros do STF julguem casos de parentes
Levantamento do Datafolha revela forte rejeição a condutas de juízes do Supremo; 78% reprovam sócios de empresas.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada na quarta-feira (11 de março de 2026), revelou que 79% dos brasileiros consideram inaceitável que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julguem casos relacionados a clientes de seus parentes, mesmo que a defesa não esteja sendo feita pelo familiar. Apenas 16% dos entrevistados veem essa situação como aceitável, enquanto 3% não souberam responder e 1% se posicionaram neutros.
O estudo, que ouviu 2.004 pessoas entre os dias 3 e 5 de março em 137 municípios, também trouxe à tona uma série de outras condutas que a população reprova em relação aos juízes da Corte. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03715/2026, apresenta uma margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%.
Além da questão do julgamento de casos que envolvem clientes de parentes, 78% dos entrevistados consideram inaceitável que ministros do STF sejam sócios de empresas durante o exercício de suas funções. Outros 76% desaprovam que esses magistrados aceitem pagamentos por palestras e conferências organizadas por instituições privadas. A pesquisa ainda aponta que 66% dos brasileiros acreditam que os juízes não deveriam aceitar convites de interessados em ações judiciais que estão sendo analisadas pelo tribunal.
Outro dado relevante é que 55% dos entrevistados discordam da possibilidade de ministros darem entrevistas ou emitirem opiniões sobre temas que estão julgando, sugerindo uma preocupação com a imparcialidade e a ética no exercício da função.
O debate sobre a ética no STF ganhou força após a derrubada, em agosto de 2023, de uma norma que proibia juízes de atuarem em casos de clientes de parentes. Essa decisão foi apoiada por ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que agora enfrentam questionamentos éticos devido a suas ligações com o caso do Banco Master, que está sob investigação por suspeitas de fraudes.
O escândalo envolvendo o Banco Master, que pertence a Daniel Vorcaro, trouxe à tona a necessidade de um código de ética mais rigoroso para os ministros do STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, já sinalizou a retomada das discussões sobre a criação desse código, em resposta às preocupações da sociedade.
Recentemente, surgiram informações sobre a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, que recebeu R$ 80 milhões do Banco Master ao longo de 22 meses de trabalho, o que intensificou as críticas sobre possíveis conflitos de interesse. Já Dias Toffoli deixou a relatoria de um inquérito relacionado ao caso após a Polícia Federal descobrir que fundos ligados ao banco adquiriram participação em uma empresa de sua família.
Esses episódios têm alimentado um clima de desconfiança em relação à atuação dos ministros do STF, levando a população a exigir maior transparência e responsabilidade nas decisões judiciais. A pesquisa do Datafolha reflete essa insatisfação e a necessidade de reformas que garantam a integridade do sistema judiciário.
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