Ação judicial foi motivada por afirmações do senador sobre supostos pagamentos do PCC a familiares de ministros do STF.
18 de Março de 2026 às 10h23

Escritório de advocacia de Viviane Barci processa senador Alessandro Vieira por declarações sobre PCC

Ação judicial foi motivada por afirmações do senador sobre supostos pagamentos do PCC a familiares de ministros do STF.

O escritório de advocacia Barci de Moraes, que tem como sócia Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, anunciou nesta segunda-feira (16) que irá processar o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por injúria, calúnia e difamação. A ação será protocolada na Justiça estadual de São Paulo e também pedirá indenização por danos morais.

A medida é uma resposta às declarações de Vieira, que em uma entrevista ao canal SBT News, mencionou a suposta circulação de recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC) para familiares de ministros do STF, incluindo Moraes.

O escritório Barci de Moraes, que prestou serviços ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, se vê no centro de uma série de questionamentos. O dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso e é investigado por fraude financeira na CPI do Crime Organizado e na CPMI do INSS.

Durante a entrevista, Vieira, que é relator da CPI do Crime Organizado no Senado, afirmou que investigações em andamento indicam que o PCC estaria realizando pagamentos a autoridades de diferentes esferas, incluindo servidores públicos e pessoas ligadas ao Judiciário. “A gente tem informações que apontam a circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação de recurso é ilícita”, declarou o senador.

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O escritório de advocacia contesta as afirmações de Vieira, alegando que o senador vinculou indevidamente recursos do PCC à firma, classificando as declarações como falsas. Em resposta, Vieira negou ter feito qualquer acusação direta e afirmou que suas palavras foram distorcidas. “O que fiz foi relatar o processo provável de lavagem de dinheiro realizado por um grupo que contratou os serviços do escritório da família Moraes. Não apontei em nenhum momento uma ligação direta entre o PCC e o referido escritório”, afirmou.

Vieira ainda acrescentou que “as pessoas aparentemente ainda têm dificuldade em compreender que as atividades do Banco Master eram criminosas”. A situação levanta preocupações sobre a relação entre políticos e o crime organizado, especialmente em um momento em que a CPI do Crime Organizado investiga essas conexões.

A ação judicial do escritório Barci de Moraes reflete a crescente tensão entre o senador e a família do ministro do STF, em um cenário onde as acusações e investigações se entrelaçam, levantando questões sobre a integridade das instituições e a transparência nas relações entre o poder público e o crime organizado.

O desdobramento deste caso poderá impactar não apenas a reputação do senador, mas também a percepção pública sobre a atuação de escritórios de advocacia ligados a figuras proeminentes do Judiciário, especialmente em tempos de crescente vigilância sobre a corrupção e a lavagem de dinheiro no Brasil.

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