NASA cancela estação lunar e investe US$ 20 bilhões em base na Lua
Jared Isaacman, novo administrador da NASA, anuncia mudanças significativas no programa Artemis, priorizando a construção de uma base lunar.
A NASA anunciou a suspensão dos planos para a construção de uma estação espacial na órbita lunar, optando por direcionar seus esforços e recursos para a construção de uma base na superfície da Lua, com um investimento estimado em US$ 20 bilhões nos próximos sete anos. A decisão foi revelada por Jared Isaacman, o novo administrador da agência espacial dos Estados Unidos, durante um evento realizado na sede da NASA em Washington, na última terça-feira (24).
Isaacman, que assumiu o cargo em dezembro, destacou que a mudança de foco é parte de uma reestruturação mais ampla do programa Artemis, que visa a exploração lunar e, eventualmente, a missão a Marte. “Não deve surpreender a ninguém que estamos interrompendo o Gateway em sua forma atual e nos concentrando na infraestrutura que apoia operações sustentadas na superfície lunar”, afirmou Isaacman aos presentes.
A estação Lunar Gateway, que já tinha grande parte de sua estrutura construída por empresas como Northrop Grumman e Vantor, estava prevista para ser uma plataforma orbital de pesquisa e apoio às missões de pouso lunar. No entanto, a NASA decidiu que os recursos e tecnologias desenvolvidos para o Gateway serão reaproveitados para a nova base lunar.
“Apesar dos desafios reais de hardware e cronograma, podemos reutilizar equipamentos e compromissos de parceiros internacionais para apoiar a superfície e outros objetivos do programa”, acrescentou o administrador, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais flexível e modular para as operações na Lua.
O programa Artemis, que inclui a missão Artemis II, que levará quatro astronautas em uma viagem ao redor da Lua, está programado para lançamento em abril. Já a Artemis III, que testará sistemas em órbita antes do pouso lunar, está prevista para 2027, enquanto a Artemis IV deverá concretizar o pouso em 2028.
A NASA planeja realizar missões lunares com intervalos de seis meses, utilizando tecnologias reutilizáveis e soluções comerciais para garantir uma presença humana contínua na Lua. A base lunar será construída em três fases, começando com o envio de rovers e instrumentos científicos para aprimorar a infraestrutura necessária.
A primeira fase, denominada “Construir, Testar e Aprender”, envolverá a implementação de tecnologias para mobilidade e geração de energia. Na segunda fase, uma infraestrutura semi-habitável será montada com apoio internacional, incluindo a colaboração com a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA). A etapa final terá uma presença humana permanente, com habitats multiuso e logística completa para operações contínuas.
Isaacman também ressaltou a importância de manter a liderança dos Estados Unidos na exploração espacial, especialmente em um cenário de crescente concorrência com países como China e Rússia, que estão avançando em suas próprias missões lunares. A China, por exemplo, planeja pousar na Lua até 2030, enquanto a Rússia também anunciou intenções de desenvolver uma estação de pesquisa lunar.
Além disso, a NASA reafirmou seu compromisso com a Estação Espacial Internacional (ISS) e a ciência do espaço profundo, planejando uma transição gradual para estações comerciais na órbita baixa da Terra. O objetivo é garantir que a pesquisa e a inovação continuem a prosperar em um ambiente orbital.
Com o novo foco em uma base lunar, a NASA espera não apenas aprimorar suas capacidades de exploração, mas também estabelecer as bases para futuras missões a Marte e além, utilizando a Lua como um ponto de partida estratégico.
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