Roberto Campos Neto falta a depoimento na CPI do Crime Organizado no Senado
Ex-presidente do Banco Central não compareceu à CPI, que investiga falhas na fiscalização bancária. Habeas corpus garantiu sua ausência.
O ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto não compareceu à sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, realizada nesta terça-feira, 31 de março. A CPI tenta ouvi-lo desde o início do mês, especificamente desde o dia 3, para esclarecer possíveis falhas na fiscalização bancária que podem ter contribuído para a expansão de organizações criminosas no Brasil.
A ausência de Campos Neto foi confirmada pela secretaria da comissão. Sua defesa acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu um habeas corpus permitindo que ele não fosse obrigado a comparecer ao Senado. Em resposta à CPI, o ex-presidente do BC manifestou sua disposição em responder a quaisquer questionamentos por escrito.
A convocação de Campos Neto foi feita por meio de um requerimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), que argumentou que o ex-presidente deveria esclarecer possíveis falhas na atuação do BC no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado no sistema financeiro. O senador destacou que mudanças regulatórias durante a gestão de Campos Neto podem ter flexibilizado controles e facilitado irregularidades.
Além de Campos Neto, a CPI aprovou a convocação do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que deixou o cargo recentemente para se candidatar ao Senado, e do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em razão de suas relações com o Banco Master.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), expressou sua insatisfação com a decisão do STF de tornar a presença de Campos Neto facultativa. Ele considerou essa medida “absurda”, afirmando que o mínimo esperado seria uma padronização de procedimentos que garantisse a obrigatoriedade do depoimento.
Os parlamentares argumentam que, como autoridade monetária do país entre 2019 e 2024, Campos Neto deveria ser ouvido para esclarecer se eventuais falhas ou omissões na fiscalização bancária contribuíram para a infiltração e expansão de organizações criminosas. O senador Jaques Wagner destacou que, durante a gestão de Campos Neto, foram editadas resoluções que, na prática, promoveram uma desregulação do sistema financeiro.
A CPI também aprovou a convocação de outras figuras importantes, incluindo Renato Dias de Brito Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, e Yan Felix Hirano, suposto facilitador de operações com recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
Os desdobramentos da CPI do Crime Organizado têm atraído a atenção de diversos setores da sociedade, especialmente diante das implicações que a atuação do Banco Central pode ter em relação ao combate ao crime organizado no Brasil.
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