Romeu Zema responde a críticas de Gilmar Mendes e reafirma sua postura
Ex-governador de Minas Gerais, Zema se posiciona contra o STF após provocações do ministro
Belo Horizonte – O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), manifestou-se nesta quarta-feira (15/4) em resposta às críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O embate entre os dois se intensificou após Mendes ironizar Zema em comentários sobre a atuação do STF e a situação fiscal do estado.
Durante uma publicação nas redes sociais, Zema afirmou que não se sentiu “intimidado” pelas palavras do ministro. “Você pode estar acostumado a ameaçar seus amiguinhos da velha política que jogam tudo pra debaixo do tapete e resolvem nas escondidas. Comigo é diferente”, declarou o ex-governador, enfatizando sua disposição em criticar abertamente as decisões da Corte.
Ver esta publicação no InstagramUma publicação partilhada por Romeu Zema (@romeuzemaoficial)
A troca de farpas começou quando Gilmar Mendes comentou sobre a defesa de Zema em favor da prisão de ministros do STF, afirmando que é “irônico” ver alguém que já ocupou um cargo executivo em Minas Gerais criticar a Corte. Mendes destacou que o ex-governador havia solicitado ao STF o adiamento do pagamento de dívidas do estado com a União.
“A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal”, escreveu Mendes, referindo-se diretamente a Zema.
Em resposta, Zema reiterou sua crítica ao que considera uma “crise moral” no STF, afirmando que os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes deveriam ser afastados e até presos, devido a investigações que os ligam a irregularidades financeiras. “Eles não merecem só processo de impeachment, merecem prisão”, disse Zema, durante um evento em São Paulo.
O ex-chefe do Palácio da Liberdade ainda mencionou que o STF suspendeu, por 180 dias, a ação que busca equalizar a dívida de Minas Gerais com a União, destacando que essa medida foi uma tentativa de garantir a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Na sequência, Zema abordou a questão das decisões judiciais que, segundo ele, favorecem interesses pessoais. “Se eles decidem a favor de alguém, é para tirar vantagem”, insinuou, questionando a imparcialidade da Justiça. Ele criticou a ideia de que decisões favoráveis implicam algum tipo de dívida política.
O ex-governador também se comprometeu a continuar sua linha crítica em relação ao STF, afirmando que não se deixará intimidar por pressões políticas ou judiciais. “Enquanto o Supremo continuar fazendo essa pouca vergonha, eu vou criticar. No dia em que ele começar a ficar sério, eu vou elogiar”, declarou.
O embate entre Zema e Mendes reflete um cenário político tenso, especialmente com a aproximação das eleições presidenciais, nas quais Zema se posiciona como pré-candidato. O ex-governador tem buscado apoio entre eleitores da extrema direita, intensificando seu discurso contra o Judiciário.
As declarações de Zema e Mendes não são um caso isolado, mas parte de um embate mais amplo entre políticos e o sistema judiciário brasileiro, que tem gerado debates acalorados sobre a atuação do STF e sua influência na política nacional.
Veja também: