O ministro do STF solicita apuração após relator da CPI sugerir indiciamento de magistrados da Corte.
16 de Abril de 2026 às 08h10

Gilmar Mendes pede investigação da PGR contra senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade

O ministro do STF solicita apuração após relator da CPI sugerir indiciamento de magistrados da Corte.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou um pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de uma investigação contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O pedido se dá em virtude de suposto abuso de autoridade por parte do parlamentar, que atua como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

A solicitação surge após o senador incluir, em seu relatório final, sugestões de indiciamento contra ministros do STF, incluindo o próprio Gilmar Mendes, além de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O relatório também propôs o indiciamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por omissão em suas funções.

No ofício enviado à PGR, Mendes argumenta que a conduta de Vieira representa um “desvio de finalidade” e classifica a iniciativa como uma “grave arbitrariedade”. O ministro destacou que a presidência do STF já havia emitido uma nota pública criticando a postura do relator da CPI, alertando que ações desse tipo podem comprometer instituições democráticas e ameaçar direitos fundamentais.

A origem do conflito remonta a uma decisão de Gilmar Mendes em um processo judicial, onde ele concedeu habeas corpus que impediu a CPI de quebrar sigilos bancário, fiscal e telemático de uma empresa vinculada às investigações. Vieira alega que essa decisão interferiu nos trabalhos da comissão, motivando sua proposta de indiciamento.

Por sua vez, Mendes defende que sua decisão não estava relacionada à CPI e foi tomada dentro de suas atribuições legais como relator de um processo no STF. Ele sustenta que o senador ultrapassou seus limites ao tentar responsabilizar ministros da Suprema Corte por decisões judiciais.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

O relatório da CPI também trouxe acusações contra outros membros do Judiciário. No caso de Dias Toffoli, foram apontadas supostas irregularidades em decisões ligadas a investigações envolvendo empresários e operações policiais. Já em relação a Alexandre de Moraes, o texto mencionou possíveis condutas incompatíveis com o cargo, baseando-se em informações de investigações e trocas de mensagens com investigados.

Além disso, o relatório sugeriu a responsabilização de Paulo Gonet, argumentando que o procurador-geral não teria tomado medidas adequadas diante das suspeitas levantadas durante as apurações.

Apesar da polêmica gerada, o relatório final da CPI não foi aprovado, com a maioria dos membros da comissão rejeitando o texto após articulações políticas. Essa decisão impediu que as recomendações de indiciamento avançassem, mas a situação intensificou a tensão entre o STF e o Legislativo.

Ministros da Corte manifestaram críticas contundentes à iniciativa. Gilmar Mendes ironizou o relatório, afirmando que o senador deveria focar em investigações mais relevantes ao invés de incluir membros do Supremo. Dias Toffoli, por sua vez, defendeu que autoridades que utilizam comissões parlamentares para fins políticos devem ser responsabilizadas, inclusive na esfera da Justiça Eleitoral.

Agora, a decisão sobre a investigação está nas mãos da Procuradoria-Geral da República, que deverá avaliar se existem elementos suficientes para abrir um inquérito contra Alessandro Vieira por abuso de autoridade. O desdobramento desse caso pode acirrar ainda mais o embate entre o STF e setores do Congresso Nacional.

Veja também:

Tópicos: