Anvisa adia julgamento sobre suspensão de produtos da Ypê após contaminação
Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu postergar a votação sobre o recurso da fabricante até sexta-feira
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou para esta sexta-feira (15) a votação sobre o recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante dos produtos da marca Ypê. A decisão foi tomada durante a reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa, realizada na última terça-feira (13).
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, explicou que o adiamento ocorreu porque a empresa se comprometeu a apresentar, até quinta-feira (14), medidas para o cumprimento das determinações sanitárias que visam garantir a segurança dos produtos.
Na quinta-feira (7), a Anvisa havia determinado a suspensão da fabricação, comercialização e uso de produtos da Ypê, especificamente aqueles com lotes numerados com final 1. A decisão foi motivada pela identificação de falhas no processo produtivo, que poderiam ter levado à contaminação microbiológica dos produtos. Entre os riscos apontados está a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, que pode causar infecções, especialmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Em reunião anterior, representantes da Ypê informaram que 239 medidas corretivas estavam em andamento na fábrica localizada em Amparo, São Paulo, para tentar reverter a determinação da Anvisa. A empresa intensificou esforços para atender às exigências estabelecidas pela vigilância sanitária.
Enquanto a votação sobre o recurso não ocorre, a Anvisa mantém a orientação para que os consumidores não utilizem os produtos da Ypê e busquem o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para orientações sobre devoluções e recolhimentos.
Os produtos suspensos incluem diversas versões de detergentes lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca. A Anvisa já havia encontrado contaminação bacteriana em lotes da Química Amparo em uma fiscalização realizada em novembro de 2025, o que gerou a nova suspensão por reincidência nas falhas de controle de qualidade.
O contexto político também influencia a situação. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro iniciaram uma campanha nas redes sociais em defesa da Ypê, acusando a Anvisa de perseguição política. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, chegou a publicar uma foto com um detergente da marca. Em resposta, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que tentativas de transformar o caso em uma disputa política são irresponsáveis, ressaltando que as medidas de fiscalização envolvem tanto a Anvisa quanto a vigilância sanitária de São Paulo, que é comandada por Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro.
A Anvisa continua acompanhando a situação e espera que a Ypê apresente as devidas correções para garantir a segurança dos consumidores e a qualidade de seus produtos.
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