Justiça ucraniana determina prisão de ex-chefe de gabinete de Zelensky por corrupção
Andrii Yermak, ex-assessor de Volodimir Zelensky, é acusado de desvio de recursos em esquema de lavagem de dinheiro.
O tribunal superior anticorrupção da Ucrânia ordenou, nesta quinta-feira (14), a prisão preventiva de Andrii Yermak, ex-chefe de gabinete do presidente Volodimir Zelensky, sob suspeita de envolvimento em uma ampla rede de desvio de recursos públicos.
Yermak, de 54 anos, ocupou o cargo de assessor presidencial entre 2020 e o final de 2025, tornando-se uma figura influente na política ucraniana. Ele renunciou em novembro do ano passado, logo após uma operação de busca em sua residência, que fazia parte de uma investigação sobre corrupção no setor de energia, envolvendo altos funcionários do governo.
Durante a audiência, o juiz decidiu aplicar uma medida preventiva de prisão por 60 dias, a partir da data de sua detenção efetiva. Além disso, foi fixada uma fiança de 140 milhões de grívnias, o que equivale a aproximadamente 3,16 milhões de dólares ou 15,8 milhões de reais.
Em sua defesa, Yermak afirmou: “Mantenho a minha posição. Vou contestar qualquer acusação apresentada contra mim.” Ele também mencionou que seus advogados estão preparados para recorrer das decisões judiciais. Questionado sobre a possibilidade de pagar a fiança, ele declarou: “Não tenho tanto dinheiro. Eu não esperava por isso.”
O ex-chefe de gabinete é acusado de participar de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de 460 milhões de grívnias, ou 10,3 milhões de dólares, através de um projeto imobiliário de luxo localizado nas proximidades de Kiev.
A imagem de Zelensky, que já enfrentou uma série de escândalos de corrupção durante a prolongada guerra com a Rússia, não foi diretamente afetada por este novo caso, uma vez que ele não foi mencionado nas investigações. Contudo, a situação pode gerar repercussões futuras em sua administração.
Em 2022, a agência anticorrupção da Ucrânia, Nabu, havia revelado um grande escândalo de corrupção no setor energético, que foi severamente impactado pela guerra, envolvendo também altos funcionários do governo.
Analistas políticos observam que a situação de Yermak pode ser vista como um teste à capacidade do governo de Zelensky em lidar com a corrupção, especialmente num momento em que a Ucrânia depende fortemente de apoio financeiro ocidental, condicionado à implementação de reformas anticorrupção.
O desdobramento deste caso ocorre em um contexto em que a confiança pública em Zelensky permanece relativamente estável, com cerca de 58% dos ucranianos expressando apoio ao presidente, apesar das preocupações crescentes sobre corrupção, que muitos consideram uma ameaça maior ao desenvolvimento do país do que a própria guerra com a Rússia.
As autoridades e o público aguardam os próximos passos na investigação e os possíveis desdobramentos legais que podem afetar a administração de Zelensky e a política ucraniana como um todo.
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