Presidente reafirma prerrogativa do Planalto na escolha de ministros da Corte após revés político
18 de Maio de 2026 às 10h32

Lula decide reenviar indicação de Jorge Messias ao STF após rejeição no Senado

Presidente reafirma prerrogativa do Planalto na escolha de ministros da Corte após revés político

BRASÍLIA, DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que irá reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição do nome do advogado-geral da União pela Casa. A decisão reflete a intenção de Lula de reafirmar sua autoridade na escolha de ministros para a Corte.

Aliados próximos ao presidente afirmam que a rejeição de Messias não foi apenas uma derrota pessoal, mas um recado ao governo federal. Lula acredita que a prerrogativa de indicar ministros é exclusiva do chefe do Executivo e que insistir no nome de Messias é uma forma de reafirmar essa posição.

A expectativa é que a nova indicação seja formalizada antes das eleições de outubro. Em conversas com seus ministros, Lula expressou que não houve justificativa técnica para a rejeição e que Messias demonstrou competência durante a sabatina no Senado.

O apoio que Messias recebeu durante a posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, também pesou na decisão de Lula. O advogado-geral foi alvo de aplausos e manifestações de solidariedade, o que foi interpretado como um sinal de respaldo político e institucional.

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Entretanto, a relação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se deteriorou após a rejeição. Durante a cerimônia de posse, Alcolumbre ignorou os gestos de apoio a Messias, evidenciando o clima tenso entre os dois.

Após a rejeição, Messias ficou recluso e chegou a considerar deixar o governo. No entanto, Lula aconselhou-o a não tomar decisões precipitadas e pediu que ele aguardasse antes de decidir seu futuro. O advogado-geral entrou em férias no dia 13 de maio e deve retornar ao cargo no próximo dia 25.

Além disso, há quem considere que a permanência de Messias na AGU (Advocacia-Geral da União) poderá causar constrangimentos nas tratativas com o STF, dada a oposição que seu nome enfrenta entre alguns integrantes da Corte.

Aliados de Lula também discutem a possibilidade de dividir o Ministério da Justiça em duas pastas, caso a PEC da Segurança Pública seja aprovada pelo Congresso. Essa divisão poderia abrir espaço para uma nova indicação para a vaga no STF, que, segundo alguns, deveria ser ocupada por uma mulher, em busca de maior representatividade.

A repercussão da rejeição de Messias no Senado representa um desafio para a articulação política do governo, que já enfrenta dificuldades em sua relação com o Congresso. Apesar disso, Lula afirmou que não pretende fazer mudanças significativas na equipe de articulação política, mesmo após o revés.

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