Tutores devem observar tremores, busca por abrigo e mudanças de comportamento; filhotes, idosos e pets de pelo curto exigem atenção extra no frio.
18 de Maio de 2026 às 11h32

Pet sente muito frio? Veja como proteger cães e gatos sem exageros

Tutores devem observar tremores, busca por abrigo e mudanças de comportamento; filhotes, idosos e pets de pelo curto exigem atenção extra no frio.

Cães e gatos sentem frio, apesar da proteção natural da pelagem. A intensidade do desconforto varia conforme porte, idade, tipo de pelo, estado de saúde, umidade, vento e tempo de exposição. No inverno, o cuidado mais seguro é manter o animal seco, abrigado e aquecido, sem transformar a proteção em excesso que cause estresse, superaquecimento ou restrição de movimentos.

A queda de temperatura pode afetar o bem-estar e a saúde dos pets, especialmente quando vem acompanhada de chuva, vento, piso gelado ou mudanças bruscas entre ambientes aquecidos e áreas externas. Médicos-veterinários orientam que a atenção deve ser redobrada em noites frias, madrugadas, passeios em horários de baixa temperatura e casas com correntes de ar.

O erro mais comum é imaginar que todo animal está protegido apenas por ter pelos. Raças de pelagem densa e dupla, como algumas criadas em regiões frias, costumam tolerar melhor temperaturas baixas. Mesmo assim, nenhum pet deve ficar exposto por longos períodos ao relento, à chuva ou ao vento frio.

Quais animais sofrem mais com a queda de temperatura

Filhotes e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis porque têm menor capacidade de regular a temperatura corporal. O mesmo vale para animais debilitados, com doenças crônicas, cardiopatias, diabetes, problemas renais, alterações hormonais ou baixa condição corporal.

Cães pequenos, de pelo curto ou com pouca gordura corporal também costumam sentir mais frio. Em muitos casos, o tutor percebe que o animal procura colo, cobertores, tapetes, áreas com sol ou cantos menos ventilados da casa. Essas mudanças podem ser sinais de que o ambiente precisa ser ajustado.

Gatos, apesar de buscarem locais quentes com facilidade, também podem sofrer com o frio. A recomendação é manter acesso a camas, mantas e ambientes secos. Para gatos que costumam sair de casa, o ideal é oferecer alternativas internas, como caixa de areia limpa, água fresca e pontos de descanso longe do piso gelado.

Animais braquicefálicos, como pugs, buldogues, shih-tzus, lhasa apsos e gatos persas, merecem atenção especial. A anatomia do focinho pode favorecer desconforto respiratório, e o inverno tende a aumentar a circulação de agentes infecciosos em ambientes fechados e pouco ventilados.

Sinais de que o pet está com frio

O sinal mais conhecido é o tremor, mas ele não é o único. O animal também pode se encolher, esconder as patas sob o corpo, procurar cobertas, ficar mais quieto, evitar o chão, relutar em sair para passear, choramingar ou tentar voltar para casa durante a caminhada.

Em situações mais preocupantes, podem aparecer fraqueza, apatia, rigidez, pele ou extremidades frias, respiração lenta, sonolência fora do padrão e desorientação. Esses sinais exigem atenção imediata, principalmente se o animal ficou molhado, passou muito tempo em ambiente frio ou já tem alguma doença.

A hipotermia é uma emergência veterinária. Quando há suspeita, o tutor deve levar o animal para um local protegido, envolver o corpo em mantas secas e procurar orientação profissional. Não se deve usar água muito quente, secador em temperatura alta ou bolsa térmica diretamente sobre a pele, porque há risco de queimaduras.

O frio intenso também pode causar lesões em áreas menos protegidas, como orelhas, cauda, focinho e patas. Pele pálida, avermelhada, inchada, dolorida ou escurecida após exposição ao frio deve ser avaliada por um médico-veterinário.

Como aquecer a casa sem exagerar

O primeiro cuidado é simples: oferecer um local de descanso seco, limpo, protegido do vento e fora do contato direto com o chão. Caminhas elevadas, tapetes, mantas e cobertores ajudam a reduzir a perda de calor, especialmente em pisos frios.

Se o cão fica em área externa, a casinha deve ser coberta, protegida da chuva e do vento, elevada do piso e posicionada em um local que não acumule umidade. O animal também precisa ter opção de sol e sombra ao longo do dia, para escolher onde se sente mais confortável.

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Roupinhas podem ajudar, mas não são obrigatórias para todos. Elas são mais indicadas para cães pequenos, idosos, filhotes, animais de pelo curto ou pets que demonstram desconforto no frio. O acessório deve permitir locomoção normal, não apertar pescoço, axilas ou tórax e ser retirado se o animal demonstrar incômodo.

Em cães de pelo longo ou pelagem dupla, o uso prolongado de roupas pode causar nós, abafamento, irritação de pele e desconforto. Também é importante retirar peças molhadas ou sujas, porque tecido úmido pode piorar a sensação de frio.

O excesso de proteção também pode ser prejudicial. Animais superaquecidos podem ficar ofegantes, inquietos, tentar se livrar da roupa ou procurar locais frios. A regra prática é observar o comportamento: o objetivo é conforto, não humanização exagerada.

Passeios, banhos e cuidados de saúde

Os passeios continuam importantes para cães, mas podem ser adaptados. Em dias muito frios, o ideal é escolher horários de temperatura mais amena, como o fim da manhã ou o início da tarde, e reduzir o tempo de caminhada se o animal demonstrar desconforto.

Durante o passeio, é preciso observar tremores, recusa em andar, patas levantadas repetidamente, tentativa de voltar para casa ou mudança no ritmo. Em regiões com geada, piso muito frio ou chuva, passeios mais curtos e frequentes costumam ser mais seguros do que uma saída longa.

Banhos não precisam ser tão frequentes quanto em períodos quentes. Quando forem necessários, devem ocorrer com água morna, em local protegido, com secagem completa. Deixar o animal úmido no inverno aumenta o desconforto e pode favorecer problemas de pele.

A tosa também merece cautela. Cortes muito baixos reduzem a proteção natural da pelagem. Em animais de pelo longo, a orientação é manter a higiene e evitar nós, mas sem retirar pelo em excesso durante os períodos mais frios.

A hidratação não deve ser esquecida. Muitos pets bebem menos água no inverno, mas continuam precisando de oferta constante. Alimentos úmidos podem ajudar em alguns casos, principalmente para gatos, mas mudanças na dieta devem ser feitas com orientação veterinária.

A alimentação pode influenciar a tolerância ao frio, sobretudo em animais que vivem em ambientes externos ou gastam mais energia para se aquecer. Ainda assim, aumentar a quantidade de comida sem avaliação pode levar ao ganho de peso. O ajuste, quando necessário, deve considerar idade, porte, rotina e condição de saúde.

A vacinação em dia é outro ponto importante. Ambientes fechados, baixa ventilação e contato com outros animais podem favorecer a transmissão de doenças respiratórias. Tosse persistente, espirros, secreção nasal ou ocular, febre, falta de apetite e cansaço devem motivar avaliação veterinária.

No caso dos gatos, há um cuidado adicional em dias frios: motores de carros podem atrair animais em busca de calor. Antes de ligar o veículo, especialmente se houver gatos soltos na região, vale bater no capô ou fazer barulho para afastar qualquer animal escondido.

O cuidado ideal no inverno combina abrigo, observação e bom senso. Cães e gatos não precisam ser tratados como pessoas, mas também não devem ser deixados sem proteção. Quando o tutor conhece os sinais de frio e adapta a rotina sem exageros, o pet passa pela estação com mais conforto e menor risco de problemas de saúde.

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