O ministro do STF, André Mendonça, votou pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Vorcaro, investigado em esquema financeiro.
22 de Maio de 2026 às 16h23

Mendonça decide manter prisão de primo de Vorcaro; Gilmar Mendes pede vista do caso

O ministro do STF, André Mendonça, votou pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Vorcaro, investigado em esquema financeiro.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça votou nesta sexta-feira, 22, a favor da manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão ocorre em meio a investigações sobre um esquema de operações financeiras envolvendo o Banco Master, que resultaram na prisão de Felipe durante a quinta fase da Operação Compliance Zero.

Após o voto de Mendonça, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, o que suspendeu o julgamento na Segunda Turma do STF. Mendes, que é o decano da Corte, terá até 90 dias para analisar o caso antes de devolver a matéria para julgamento.

A prisão de Felipe Vorcaro, que foi inicialmente temporária, foi convertida em preventiva na última segunda-feira, 18. O relator justificou sua decisão com base no risco de obstrução das investigações e na necessidade de resguardar a ordem pública. A Polícia Federal (PF) aponta Felipe como um dos principais articuladores do esquema financeiro que envolve seu primo, Daniel Vorcaro, atualmente preso e investigado por lavagem de dinheiro.

Durante o julgamento, Mendonça destacou que Felipe teria tentado frustrar a atuação das autoridades, evidenciado por sua fuga em um carrinho de golfe em Trancoso, na Bahia, momentos antes da chegada da PF em uma operação anterior. “Verificou-se que a conduta de Felipe indicou intenção de frustrar a atuação estatal e comprometer a colheita probatória”, afirmou o ministro em seu voto.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

As investigações revelam que Felipe Vorcaro esteve envolvido em transações financeiras suspeitas, incluindo a venda de ações avaliadas em R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão para uma empresa ligada ao irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Além disso, a PF identificou trocas de mensagens que indicam pagamentos de propina ao senador, que teria recebido uma mesada de pelo menos R$ 300 mil.

O voto de Mendonça também menciona a criação da empresa Infrasolar Holding Ltda., que, apesar de ter um capital social de apenas R$ 1 mil, teria realizado operações financeiras superiores a R$ 132 milhões em um curto período após sua abertura. Conversas interceptadas pela PF sugerem que os envolvidos discutiam estratégias para ocultar a origem dos recursos, utilizando expressões como “descer capital” e “descarimbar” recursos.

As investigações da Operação Compliance Zero apontam para uma fraude sistemática, com emissão de títulos fictícios e desvios de recursos, resultando em um rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Daniel Vorcaro, que controlava o Banco Master, está preso e em negociação para uma possível delação premiada.

A decisão de Mendonça requer ratificação do colegiado e foi pautada no plenário virtual, onde não há debate público. A continuidade do julgamento agora depende da análise de Gilmar Mendes, que deverá decidir sobre o futuro da prisão de Felipe Vorcaro e as implicações das investigações em andamento.

Veja também:

Tópicos: