Mendonça decide manter prisão de primo de Vorcaro; Gilmar Mendes pede vista do caso
O ministro do STF, André Mendonça, votou pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Vorcaro, investigado em esquema financeiro.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça votou nesta sexta-feira, 22, a favor da manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão ocorre em meio a investigações sobre um esquema de operações financeiras envolvendo o Banco Master, que resultaram na prisão de Felipe durante a quinta fase da Operação Compliance Zero.
Após o voto de Mendonça, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, o que suspendeu o julgamento na Segunda Turma do STF. Mendes, que é o decano da Corte, terá até 90 dias para analisar o caso antes de devolver a matéria para julgamento.
A prisão de Felipe Vorcaro, que foi inicialmente temporária, foi convertida em preventiva na última segunda-feira, 18. O relator justificou sua decisão com base no risco de obstrução das investigações e na necessidade de resguardar a ordem pública. A Polícia Federal (PF) aponta Felipe como um dos principais articuladores do esquema financeiro que envolve seu primo, Daniel Vorcaro, atualmente preso e investigado por lavagem de dinheiro.
Durante o julgamento, Mendonça destacou que Felipe teria tentado frustrar a atuação das autoridades, evidenciado por sua fuga em um carrinho de golfe em Trancoso, na Bahia, momentos antes da chegada da PF em uma operação anterior. “Verificou-se que a conduta de Felipe indicou intenção de frustrar a atuação estatal e comprometer a colheita probatória”, afirmou o ministro em seu voto.
As investigações revelam que Felipe Vorcaro esteve envolvido em transações financeiras suspeitas, incluindo a venda de ações avaliadas em R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão para uma empresa ligada ao irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Além disso, a PF identificou trocas de mensagens que indicam pagamentos de propina ao senador, que teria recebido uma mesada de pelo menos R$ 300 mil.
O voto de Mendonça também menciona a criação da empresa Infrasolar Holding Ltda., que, apesar de ter um capital social de apenas R$ 1 mil, teria realizado operações financeiras superiores a R$ 132 milhões em um curto período após sua abertura. Conversas interceptadas pela PF sugerem que os envolvidos discutiam estratégias para ocultar a origem dos recursos, utilizando expressões como “descer capital” e “descarimbar” recursos.
As investigações da Operação Compliance Zero apontam para uma fraude sistemática, com emissão de títulos fictícios e desvios de recursos, resultando em um rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Daniel Vorcaro, que controlava o Banco Master, está preso e em negociação para uma possível delação premiada.
A decisão de Mendonça requer ratificação do colegiado e foi pautada no plenário virtual, onde não há debate público. A continuidade do julgamento agora depende da análise de Gilmar Mendes, que deverá decidir sobre o futuro da prisão de Felipe Vorcaro e as implicações das investigações em andamento.
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