China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e suspende restrições à carne
A decisão da China representa um avanço significativo para as exportações brasileiras de carne bovina.
A China anunciou nesta terça-feira, 2, que reconhece todo o Brasil como livre da febre aftosa, uma medida que suspende as restrições impostas à importação de carne bovina brasileira. O comunicado foi divulgado pela Administração Geral de Aduanas da China e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, coincidentemente na véspera da visita do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a Pequim.
O Brasil, que é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, destinou mais da metade de suas exportações de carne bovina à China no último ano. Somente no primeiro trimestre deste ano, o país asiático importou quase US$ 3 bilhões em carne do Brasil, segundo dados comerciais.
O reconhecimento da China é um marco importante, pois as restrições à carne bovina brasileira estavam em vigor há mais de 20 anos. Um negociador brasileiro, que preferiu não se identificar, classificou a decisão como “uma grande notícia”, destacando a relevância do mercado chinês para a pecuária nacional.
Com a nova determinação, a restrição relacionada à febre aftosa aplicada à região norte do Brasil foi revogada, reconhecendo todo o território brasileiro como livre da doença. Essa mudança abre portas para a exportação de miúdos de suínos e outros produtos que antes enfrentavam barreiras sanitárias.
A China havia enfrentado um surto de febre aftosa em sua região noroeste no final de março, o que levou a um reforço nas medidas de controle e à aceleração na aprovação de vacinas. Contudo, a nova decisão reflete a confiança nas práticas sanitárias brasileiras, especialmente após o Brasil ter sido declarado livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) no ano passado.
Além disso, o anúncio das autoridades sanitárias chinesas ocorreu exatamente um ano após o reconhecimento do Brasil pela OMSA, que foi um processo gradual e que culminará em um reconhecimento pleno em 2025. O governo brasileiro utilizou essa certificação como uma alavanca nas negociações com a China, que finalmente foram atendidas.
Os ministérios da Agricultura e de Relações Exteriores do Brasil ressaltaram o potencial econômico dessa decisão, que amplia as oportunidades para as exportações de produtos bovinos e suínos no mercado chinês. O reconhecimento é visto como um passo crucial para a expansão das exportações do agronegócio brasileiro, que já superaram os US$ 50 bilhões em 2025.
Com a nova medida, as plantas habilitadas para a exportação de carne podem solicitar a inclusão de miúdos externos, como orelhas e máscaras, e a exportação de couro wet blue também deve ser facilitada, sem a exigência de certificados específicos. As negociações para a revisão de protocolos de exportação, incluindo carne com osso e miúdos, estão em andamento, gerando expectativas positivas para o setor.
Apesar das boas notícias, o governo brasileiro ainda enfrenta desafios, como a salvaguarda aplicada pela China às exportações brasileiras de carne, que foi postergada devido a tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa salvaguarda limita as exportações brasileiras e está prevista para durar três anos, com uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas.
Além disso, o Brasil está lidando com a iminente exclusão de produtos de proteína animal do mercado da União Europeia, o que poderá impactar significativamente as exportações. As autoridades brasileiras estão trabalhando para reverter essa situação, mas o tempo é um fator crítico.
Veja também: