Relatório do USTR menciona anulação de provas como exemplo de fragilidade do Brasil no combate à corrupção
02 de Junho de 2026 às 14h19

EUA citam decisão de Toffoli sobre Odebrecht em justificativa para tarifas

Relatório do USTR menciona anulação de provas como exemplo de fragilidade do Brasil no combate à corrupção

O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial (USTR), divulgou um relatório que critica a atuação do Brasil no combate à corrupção, citando a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou provas obtidas no acordo de leniência da Odebrecht. Essa decisão é apresentada como um dos fatores que justificam a proposta de imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

No documento, o USTR afirma que o Brasil "falhou e continua falhando em adotar medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção". A anulação das provas, ocorrida em setembro de 2023, é destacada como um marco que prejudica a responsabilização de empresas envolvidas em práticas corruptas.

O relatório menciona que a decisão de Toffoli levou à anulação de mais de uma centena de processos relacionados à Lava Jato, o que, segundo o governo americano, representa um retrocesso significativo nas políticas anticorrupção do Brasil. O USTR também expressa preocupação com a falta de transparência nas renegociações dos acordos de leniência e a suspensão de sanções impostas a empresas que confessaram envolvimento em esquemas de corrupção.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é citada no relatório como tendo manifestado preocupações sobre a eficácia das investigações e processos que envolvem corrupção transnacional no Brasil. A OCDE destaca que o país não tem conseguido alcançar um nível sustentável de combate ao suborno, especialmente considerando o envolvimento de empresas brasileiras em alguns dos maiores escândalos de corrupção da última década.

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O USTR argumenta que as práticas brasileiras relacionadas ao combate à corrupção criam um ambiente desvantajoso para empresas americanas, que operam sob rigorosas legislações anticorrupção. O relatório sugere que as políticas do Brasil, ao permitirem que empresas corruptas operem sem punição, prejudicam o comércio entre os dois países.

Além da questão da corrupção, o relatório do USTR aborda outras áreas de preocupação, como barreiras ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual e políticas de pagamentos eletrônicos que favorecem o sistema brasileiro em detrimento de empresas americanas. Essas questões, segundo o governo dos EUA, impõem restrições ao comércio e podem resultar em sanções adicionais.

O governo americano anunciou que realizará consultas públicas sobre a proposta de tarifas, com audiências programadas para julho de 2026. A decisão final sobre a aplicação das tarifas deve ocorrer até o dia 15 do mesmo mês.

O relatório também destaca que, apesar das críticas e das preocupações levantadas por organismos internacionais, o Brasil tem tomado poucas medidas efetivas para reverter sua trajetória no combate à corrupção. A falta de ações concretas pode impactar negativamente a imagem do país no cenário internacional e suas relações comerciais com os Estados Unidos.

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