Decisão do presidente do TSE ocorre após suspeitas de indução nas perguntas da pesquisa que apontou queda no senador
08 de Junho de 2026 às 17h20

Nunes Marques suspende divulgação de pesquisa da AtlasIntel sobre Flávio Bolsonaro

Decisão do presidente do TSE ocorre após suspeitas de indução nas perguntas da pesquisa que apontou queda no senador

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, que indicava uma queda de seis pontos percentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um possível segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão liminar foi proferida nesta segunda-feira (8) e atende a um pedido do Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada no levantamento.

A pesquisa, divulgada em 19 de maio, foi realizada após a revelação de um áudio em que Flávio Bolsonaro solicitava financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nunes Marques considerou que as perguntas formuladas pela AtlasIntel poderiam induzir respostas, comprometendo a neutralidade metodológica do estudo.

Em sua análise, o ministro destacou que a sequência das perguntas poderia ter influenciado as percepções dos entrevistados antes de serem questionados sobre a intenção de voto. “Tais circunstâncias corroboram os argumentos sobre a possível utilização de estímulos indutivos que poderiam contaminar as respostas relacionadas à imagem, rejeição e intenção de voto”, afirmou Nunes Marques.

O TSE deu um prazo de dois dias para que a AtlasIntel apresente informações adicionais sobre a pesquisa, incluindo detalhes sobre a metodologia e o conteúdo audiovisual utilizado. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar sobre o caso, que será submetido ao plenário da corte em uma sessão marcada para a próxima terça-feira (9).

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Além da suspensão da divulgação, a decisão do TSE determina que a AtlasIntel se abstenha de promover qualquer nova divulgação da pesquisa até que uma nova deliberação seja feita pelo tribunal. O ministro ressaltou que, embora a pesquisa já tenha sido divulgada, a manutenção de sua circulação poderia ter efeitos irreversíveis no processo eleitoral.

Na decisão, Nunes Marques citou uma entrevista do CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, à CNN, onde ele reconheceu o viés político das perguntas e alertou sobre o potencial de impacto negativo que o áudio poderia ter na imagem do pré-candidato. Roman afirmou que a pesquisa foi conduzida de maneira rigorosa e que não houve indução aos entrevistados.

A AtlasIntel, em nota, afirmou que está colaborando com a Justiça Eleitoral e que a pesquisa foi realizada com rigor técnico, destacando que o áudio em questão não foi exibido aos entrevistados durante a aplicação do questionário. A empresa defende que os resultados refletem a dinâmica real da opinião pública e não são resultado de contaminação metodológica.

O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme “Dark Horse” traz à tona questões sobre a influência de fatores externos na percepção do eleitorado, especialmente em um cenário eleitoral tão polarizado. A decisão do TSE, portanto, não apenas suspende a pesquisa, mas também levanta discussões sobre a integridade e a transparência das metodologias utilizadas nas pesquisas eleitorais no Brasil.

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