Nunes Marques suspende divulgação de pesquisa da AtlasIntel sobre Flávio Bolsonaro
Decisão do presidente do TSE ocorre após suspeitas de indução nas perguntas da pesquisa que apontou queda no senador
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, que indicava uma queda de seis pontos percentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um possível segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão liminar foi proferida nesta segunda-feira (8) e atende a um pedido do Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada no levantamento.
A pesquisa, divulgada em 19 de maio, foi realizada após a revelação de um áudio em que Flávio Bolsonaro solicitava financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nunes Marques considerou que as perguntas formuladas pela AtlasIntel poderiam induzir respostas, comprometendo a neutralidade metodológica do estudo.
Em sua análise, o ministro destacou que a sequência das perguntas poderia ter influenciado as percepções dos entrevistados antes de serem questionados sobre a intenção de voto. “Tais circunstâncias corroboram os argumentos sobre a possível utilização de estímulos indutivos que poderiam contaminar as respostas relacionadas à imagem, rejeição e intenção de voto”, afirmou Nunes Marques.
O TSE deu um prazo de dois dias para que a AtlasIntel apresente informações adicionais sobre a pesquisa, incluindo detalhes sobre a metodologia e o conteúdo audiovisual utilizado. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar sobre o caso, que será submetido ao plenário da corte em uma sessão marcada para a próxima terça-feira (9).
Além da suspensão da divulgação, a decisão do TSE determina que a AtlasIntel se abstenha de promover qualquer nova divulgação da pesquisa até que uma nova deliberação seja feita pelo tribunal. O ministro ressaltou que, embora a pesquisa já tenha sido divulgada, a manutenção de sua circulação poderia ter efeitos irreversíveis no processo eleitoral.
Na decisão, Nunes Marques citou uma entrevista do CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, à CNN, onde ele reconheceu o viés político das perguntas e alertou sobre o potencial de impacto negativo que o áudio poderia ter na imagem do pré-candidato. Roman afirmou que a pesquisa foi conduzida de maneira rigorosa e que não houve indução aos entrevistados.
A AtlasIntel, em nota, afirmou que está colaborando com a Justiça Eleitoral e que a pesquisa foi realizada com rigor técnico, destacando que o áudio em questão não foi exibido aos entrevistados durante a aplicação do questionário. A empresa defende que os resultados refletem a dinâmica real da opinião pública e não são resultado de contaminação metodológica.
O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme “Dark Horse” traz à tona questões sobre a influência de fatores externos na percepção do eleitorado, especialmente em um cenário eleitoral tão polarizado. A decisão do TSE, portanto, não apenas suspende a pesquisa, mas também levanta discussões sobre a integridade e a transparência das metodologias utilizadas nas pesquisas eleitorais no Brasil.
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