Decisão unânime permite que estados imponham restrições a estudantes trans em competições esportivas femininas.
30 de Junho de 2026 às 14h56

Suprema Corte dos EUA valida proibições a atletas transgêneros em esportes femininos

Decisão unânime permite que estados imponham restrições a estudantes trans em competições esportivas femininas.

A Suprema Corte dos Estados Unidos confirmou, nesta terça-feira, a legalidade de leis que proíbem a participação de atletas transgêneros em competições femininas. A decisão, que foi unânime, abre caminho para que estados como Idaho e Virgínia Ocidental implementem restrições semelhantes em suas instituições educacionais.

As leis em questão determinam que as equipes esportivas das escolas públicas e universidades sejam organizadas com base no "sexo biológico" dos atletas, barrando a participação de "estudantes do sexo masculino" em times femininos. Essa questão se insere nas chamadas guerras culturais que têm dominado o debate público nos Estados Unidos.

Os ministros da Corte reverteram decisões de instâncias inferiores que haviam favorecido estudantes transgêneros, que alegavam que as proibições violavam a Constituição americana e uma lei federal antidiscriminação, o Título IX.

A decisão foi tomada por 9 votos a 0, com os juízes concordando que as leis estaduais não infringem o Título IX, que proíbe discriminação com base no sexo na educação. No entanto, o tribunal se dividiu em 6 votos a 3 quanto à questão da igualdade sob a 14ª Emenda da Constituição, com a maioria conservadora defendendo que as leis não violam essa garantia.

O juiz Brett Kavanaugh, que redigiu a decisão, afirmou: “Em consonância com o Título IX e a Cláusula de Igual Proteção, concluímos que os Estados podem manter competições esportivas femininas para mulheres e meninas biologicamente do sexo feminino.”

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O governo do ex-presidente Donald Trump, que tem promovido restrições aos direitos de pessoas transgêneros, apoiou as legislações durante o processo judicial. Os defensores das leis argumentam que elas são essenciais para garantir a justiça nas competições esportivas e proteger as oportunidades atléticas para mulheres.

Por outro lado, críticos das medidas afirmam que as proibições discriminam um número reduzido de estudantes vulneráveis, transformando a participação em esportes escolares em um campo de batalha político nacional.

Os casos que chegaram à Suprema Corte foram movidos por estudantes transgêneros que contestaram as leis. Um dos casos originou-se da Lei de Justiça nos Esportes Femininos de Idaho, que foi considerada inconstitucional por tribunais inferiores. No caso da Virgínia Ocidental, uma adolescente transgênero foi impedida de competir em sua equipe de atletismo.

A decisão da Corte ocorre em um contexto em que mais de duas dúzias de estados liderados por republicanos já adotaram legislações semelhantes, o que pode ampliar o impacto da decisão em todo o país.

A Suprema Corte também já havia se manifestado sobre outras restrições aos direitos de pessoas transgêneros, como a proibição de tratamentos médicos para menores diagnosticados com disforia de gênero e a limitação de direitos em documentos oficiais, como passaportes.

A questão da participação de atletas transgêneros em equipes femininas continua a ser um tema central nas discussões sobre direitos civis e igualdade nos Estados Unidos, refletindo as profundas divisões ideológicas que permeiam a sociedade americana.

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