Tropas americanas atuam em resgates e logística após terremotos que deixaram milhares de mortos
01 de Julho de 2026 às 09h21

EUA enviam mais de 900 militares à Venezuela para apoiar operações de socorro

Tropas americanas atuam em resgates e logística após terremotos que deixaram milhares de mortos

As Forças Armadas dos Estados Unidos estabeleceram uma presença significativa na Venezuela e em seus arredores para apoiar as operações de socorro após os devastadores terremotos que atingiram o país na semana passada. Atualmente, mais de 900 militares americanos estão no território venezuelano, enquanto aproximadamente 800 outros estão posicionados em centros logísticos no Caribe, incluindo Porto Rico e Curaçao, conforme informou o general Francis Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA.

Donovan destacou que as forças americanas têm participado ativamente de operações de busca e resgate, além de ajudar a restabelecer o funcionamento do aeroporto local e mobilizar recursos aéreos e navais para facilitar a chegada de ajuda humanitária. Os terremotos, que ocorreram com menos de um minuto de intervalo, tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5, resultando em milhares de pessoas presas sob os escombros.

Para auxiliar na coordenação das operações, os militares dos EUA deslocaram pelo menos quatro ou cinco drones MQ-9 Reaper, que estão sobrevoando a Venezuela. Esses equipamentos, em conjunto com um centro de integração de informações em Miami, têm reforçado a capacidade de inteligência das autoridades locais. “Estamos utilizando alguns dos mesmos recursos que normalmente empregaríamos para monitorar ameaças no hemisfério para agora garantir que as estradas estejam transitáveis e identificar onde estão os edifícios danificados”, afirmou Donovan.

“As informações podem ser mais difíceis de obter pelas autoridades venezuelanas a partir do nível do solo”, acrescentou o general.

A presença militar dos EUA representa uma mudança notável, considerando que, em janeiro, as forças americanas realizaram uma operação para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusado de tráfico de drogas, o que gerou tensões entre os dois países. Maduro nega as acusações.

Na última quarta-feira, os terremotos provocaram o colapso de edifícios e deixaram um saldo trágico de 1.943 mortos e mais de 10.500 feridos, segundo as autoridades venezuelanas. A Organização das Nações Unidas estima que cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas.

Os fuzileiros navais dos EUA foram os primeiros a chegar ao local, auxiliando as equipes de resgate na remoção de escombros e na busca por sobreviventes. Entre os civis resgatados, uma mãe e seu bebê de nove meses foram transportados por via aérea com a ajuda das forças americanas.

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Donovan ressaltou que a operação tem um caráter humanitário e logístico, com foco em garantir que a ajuda internacional não fique retida nos pontos de entrada do país. “É justamente aí que esse tipo de operação pode enfrentar problemas. Você recebe muito material, mas não dispõe da estrutura logística necessária para transportá-lo até as áreas afetadas”, explicou.

O governo venezuelano tem enfrentado críticas por não ter mobilizado rapidamente equipamentos pesados e equipes de busca e resgate, deixando muitos moradores a agir por conta própria, utilizando suas próprias mãos e ferramentas improvisadas na tentativa de encontrar familiares.

No último sábado, a televisão estatal exibiu imagens de máquinas pesadas removendo blocos de concreto e tijolos em algumas áreas afetadas. Moradores relataram que equipes internacionais de resgate ajudaram na retirada de corpos.

Questionado sobre a insatisfação da população venezuelana com a resposta do governo, Donovan foi cauteloso, mas reconheceu que Caracas enfrenta as consequências de décadas de má administração, que “basicamente arruinaram a infraestrutura do país”. A escassez de medicamentos e profissionais de saúde também contribui para aumentar a frustração da população.

Embora o general tenha evitado especular sobre a duração da missão militar americana na Venezuela, ele afirmou que essa decisão cabe ao Departamento de Estado dos EUA, que lidera a missão humanitária. No entanto, Donovan enfatizou que os militares não estão se preparando para uma permanência prolongada no território venezuelano.

“Não há qualquer discussão sobre permanecer. É isso que fazemos em operações de ajuda humanitária... Vamos embora quando o trabalho estiver concluído”, disse Donovan.

O general expressou a esperança de que os esforços dos EUA possam fortalecer os laços militares entre os dois países, afirmando: “Se isso abrir caminho para uma relação militar mais sólida entre os dois países, certamente estaremos prontos para avançar”.

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