Ação busca restringir acesso a recursos de Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado por crimes financeiros
21 de Julho de 2026 às 16h26

Polícia Federal realiza nova fase de operação contra Careca do INSS por fraudes

Ação busca restringir acesso a recursos de Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado por crimes financeiros

A Polícia Federal (PF) deu início a uma nova fase da operação que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nesta terça-feira, cumprindo um mandado de busca e apreensão no Distrito Federal, relacionado ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Antunes já havia sido indiciado em um inquérito anterior da investigação.

De acordo com a PF, a ação tem como objetivo limitar o acesso de Antunes a recursos financeiros, em meio a investigações sobre crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial. O mandado foi expedido pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na semana passada, a PF revelou que 48 pessoas estavam envolvidas em um esquema que desviou aproximadamente R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas do INSS. A investigação concluiu que a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) estava entre as entidades implicadas no desvio de recursos.

Entre os indiciados, destaca-se Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, que é suspeito de receber vantagens indevidas e de estar envolvido em corrupção e lavagem de dinheiro. Ele nega as acusações. Além dele, outros nomes conhecidos, como Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, e Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, procurador do INSS, também foram indiciados.

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A PF apontou que os valores desviados, que deveriam beneficiar os filiados, eram inicialmente direcionados aos cofres da Conafer e, em seguida, rapidamente redirecionados para empresas de fachada ligadas a operadores financeiros. Esses operadores, sob ordens da presidência da Conafer, utilizavam a maior parte dos valores para enriquecimento ilícito e pagamento de propinas a agentes públicos e políticos.

Além da Conafer, outras entidades estão sob investigação por suspeitas de irregularidades em suas operações. Auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) indicaram filiações irregulares e autorizações obtidas de forma fraudulenta, sem o consentimento dos beneficiários.

As investigações sobre os diversos núcleos do esquema continuam em andamento, com a PF buscando identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los pelos crimes cometidos. A operação é uma continuidade da Operação Sem Desconto, que investiga cobranças associativas não autorizadas em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.

Mensagens obtidas durante a apuração revelaram que os investigados utilizavam apelidos para se referir a ex-integrantes da cúpula do INSS, indicando uma estrutura organizada para a execução das fraudes.

Em nota, a Conafer declarou que respeita o trabalho da PF e do Judiciário, mas ressaltou que o indiciamento é uma manifestação da fase investigativa, sem que tenha havido condenação.

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