Embraer registra lucro de R$ 1,11 bilhão e eleva projeções para 2026
A fabricante de aeronaves alcançou recorde de receitas e revisou suas metas financeiras para o ano.
A Embraer (EMBJ3) divulgou nesta segunda-feira (10) um lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, representando um crescimento de 25% em relação aos R$ 890,3 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. A empresa também revisou suas projeções financeiras, elevando a margem EBIT ajustada para entre 10,0% e 10,6%, acima da faixa anterior de 8,7% a 9,3%. Além disso, a estimativa de fluxo de caixa livre foi ampliada de US$ 200 milhões para US$ 400 milhões ou mais.
A revisão das projeções não alterou as metas de volume de entregas, que continuam em 80 a 85 jatos comerciais e 160 a 170 executivos. A receita consolidada permanece na faixa de US$ 8,2 bilhões a US$ 8,5 bilhões. A expectativa é que a Embraer consiga aumentar sua lucratividade sem modificar o faturamento, resultado de melhorias no mix de produtos, aumento de produtividade e controle rigoroso de custos.
No Fato Relevante que oficializou a alteração, assinado por Felipe Santana Santiago de Lima, vice-presidente executivo financeiro e de Relações com Investidores, a companhia destacou que as previsões anteriores não refletiam adequadamente as melhores estimativas para o exercício, considerando as oportunidades e riscos atuais do mercado.
O balanço do segundo trimestre foi fundamental para essa revisão. A receita líquida alcançou R$ 11,3 bilhões, um aumento de 10% em comparação ao ano anterior, estabelecendo um recorde para o segundo trimestre na história da empresa. O EBIT ajustado foi de R$ 1,5 bilhão, com margem de 13,4%, enquanto o EBITDA ajustado ficou em R$ 1,81 bilhão, com margem de 16%. O fluxo de caixa livre ajustado se tornou positivo em R$ 2,0 bilhões, impulsionado pelo desempenho operacional e adiantamentos de clientes relacionados a vendas.
Um ponto a ser destacado é que a margem de 13,4% inclui um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões, que foi parcialmente compensado por US$ 8 milhões em tarifas de importação dos Estados Unidos. Sem esses efeitos, a margem EBIT ajustada teria sido de 10,6%, que coincide com o teto do novo guidance e representa a leitura mais próxima do desempenho recorrente da empresa.
O crescimento foi observado em todas as divisões da Embraer. A receita de Defesa & Segurança cresceu 22% em relação ao ano anterior, a de Aviação Executiva aumentou 19%, e a de Serviços & Suporte subiu 11%. A única exceção foi a Aviação Comercial, que teve uma queda de 2%, influenciada pelo mix de modelos entregues no período.
Comparando com o primeiro trimestre, o resultado foi ainda mais expressivo. Entre janeiro e março, a Embraer havia reportado um lucro líquido ajustado de apenas R$ 145,4 milhões, uma queda de 51,5% em relação ao ano anterior, com margem EBIT de 6,4% e consumo de caixa livre de R$ 2,4 bilhões, reflexo do capital de giro necessário para preparar as entregas do ano. A reação do mercado foi negativa na época, com os papéis da empresa caindo mais de 10% após a divulgação dos resultados em maio.
No segundo trimestre, a companhia entregou 65 aeronaves, um aumento em relação às 44 entregas do primeiro trimestre, totalizando 109 entregas no semestre, cerca de 20% acima do mesmo período de 2025. Esse volume representa aproximadamente 42% do ponto médio das estimativas anuais de entregas, superando em oito pontos percentuais a média histórica para o período, um avanço que a empresa atribui ao programa de nivelamento da produção.
A carteira de pedidos da Embraer encerrou o segundo trimestre em US$ 34,5 bilhões, estabelecendo o sétimo recorde trimestral consecutivo, com um crescimento de 16% em relação ao ano anterior. O segmento de Defesa & Segurança foi o destaque, com um aumento de 42%, impulsionado pela compra do cargueiro C-390 Millennium pela Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos, que representa o maior pedido internacional já feito por um único país para o modelo. Na Aviação Comercial, a carteira atingiu US$ 15,1 bilhões, com o programa E2 ultrapassando a marca de 500 pedidos firmes.
Os papéis da Embraer apresentaram recuperação na bolsa. As ações da EMBJ3 acumularam alta de cerca de 36% desde a mínima de maio e operavam em torno de R$ 92 na sexta-feira anterior à divulgação do balanço, em comparação à máxima histórica de R$ 105,50. No mercado, prevalece a percepção de que a companhia está subavaliada em relação aos seus concorrentes globais. O JPMorgan observou que a Embraer negocia com um desconto significativo em relação à Airbus e Bombardier, enquanto BTG e Bradesco BBI mantêm recomendações de compra, com preços-alvo de R$ 126 e R$ 110, respectivamente.
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